Redes inteligentes de energia elétrica: Implantação, regulamentação e benefícios

Redes inteligentes de energia elétrica: Implantação, regulamentação e benefícios
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RESUMO

O objetivo deste artigo é diagnosticar o atual estágio de desenvolvimento das redes inteligentes de energia elétrica no Brasil e no mundo, como também, as políticas regulatórias e institucionais desenvolvidas no Brasil para aplicação da mesma no setor elétrico brasileiro. Por fim, procurar identificar, de maneira geral, os benefícios que esse novo modelo de distribuição de energia elétrica pode trazer ao setor em geral, bem como, ao ambiente de distribuição, chegando a conclusão que as tecnologias de redes elétricas inteligentes proporcionam inúmeros benefícios, traduzidos em ganhos monetários, ambientais e de imagem. Além de reduzir a energia não distribuída, perdas comerciais e técnicas, custos operacionais e emissão de CO2, contribuem para o estreitamento da relação entre concessionário e consumidor, peça fundamental para o sucesso de tais práticas. Esse novo modelo de distribuição de energia elétrica encontra-se em diversos estágios de desenvolvimento no mundo, variando de acordo com as necessidades de cada país. No Brasil não é diferente, o desenvolvimento e implantação contam com projetos de empresas privadas, órgãos governamentais e associações de classe, porém, as principais questões a serem, ainda, trabalhadas e definidas são as alterações na regulamentação setorial que se encontra em estagio de desenvolvimento e adaptação.



1.0 - Introdução


O setor elétrico brasileiro, a exemplo do que ocorreu em vários outros países, passou por transformações e reformas institucionais importantes nas últimas duas décadas. De um modelo estatal e fortemente regulado, passou a ser mais dirigido pela ótica de mercado, com estímulos à concorrência em segmentos como a geração e a comercialização, sendo que em 2004 após a crise do racionamento entre 2001 e 2002 e com a instituição do novo modelo do setor elétrico brasileiro o estado retomou o planejamento do setor de energia elétrica, tendo como princípios fundamentais: garantir a segurança no suprimento, promover a modicidade tarifária e promover a inserção social, Tolmasquim (1). As mudanças institucionais ocorreram, portanto, em função de alterações no ambiente político regulatório do setor sendo pouco influenciadas pelo ambiente tecnológico, que por sinal, após a invenção da primeira lâmpada elétrica comercializável em 1879 por Thomas Alva Edison, a maneira como é feita a distribuição de energia elétrica evoluiu muito pouco.


Porém, nos últimos anos, a ascensão das tecnologias da informação e telecomunicações juntamente com sua aproximação com o setor de energia elétrica, notadamente no segmento de distribuição, têm sinalizado mudanças substanciais nesse quadro levando, inclusive, a uma quebra de paradigmas no setor elétrico mundial, ao acrescentar inteligência às redes de energia elétrica.


Essa transição para o novo modelo de distribuição de energia elétrica, que se convencionou chamar de Redes Elétricas Inteligentes, no Brasil, é inevitável e altamente desejável. Por outro lado, a implantação bem-sucedida desse modelo requer providências importantes dos responsáveis pela formulação de políticas públicas e pela regulação do setor, bem como das empresas de energia elétrica e seus fornecedores de tecnologia.


Procuramos, portanto, através desse artigo, diagnosticar o atual estágio de desenvolvimento das redes inteligentes de energia elétrica no Brasil e no mundo, como também, as políticas regulatórias e institucionais desenvolvidas no Brasil para aplicação da mesma no setor elétrico brasileiro. Por fim, procuramos identificar, de maneira geral, os benefícios que esse novo modelo de distribuição de energia elétrica pode trazer ao setor em geral, bem como, ao ambiente de distribuição. As informações descritas foram coletadas por meio de pesquisa bibliográfica coletada de livros e artigos disponibilizados on-line, a fim de, reunir informações que fundamentassem esse artigo.

2.0 - Redes elétricas inteligentes: conceituação

O conceito de rede elétrica inteligente ou smart grid, pela sua vasta aplicabilidade no setor energético, difere de acordo com quem o define. Segundo Toledo (2):

“alguns especialistas focam o conceito mais na área de automação da rede, outros na cadeia de fornecimento de energia, outros ainda na melhoria dos canais de interação e serviços para o consumidor. A razão disso é que tal definição varia de acordo com as necessidades (reduzir perdas, poluentes, custos operacionais) e com a ótica (financeira, ambiental, entre outras) de seu autor.”


Ainda, segundo Boccuzzi (3):

“smart grid ou rede elétrica inteligente, em português, são nomes genéricos e populares dados a uma cesta de tecnologias que estão disponíveis para modernizar e aprimorar os serviços de eletricidade que atualmente são prestados pelas empresas de energia no mundo. Estas tecnologias abrangem a incorporação de sensoriamento (ou monitoramento ou medição), de telecomunicações e de capacidade de processamento de dados (tecnologia de informação) nos ativos de energia.”


Dessa forma, em termos gerais, podemos conceituar redes inteligentes como sendo um novo modelo de distribuição de energia elétrica, onde, tecnologias da informação integradas a sistemas de comunicação e infraestrutura de rede automatizada, são aplicadas ao sistema elétrico de potência (SEP), permitindo a distribuidora ter um melhor gerenciamento dos seus ativos, das suas operações e dos seus próprios consumidores, que por sua vez, disponibilizam de mais informações e autonomia no controle diário de sua demanda, passando a ter um papel ativo e preponderante nesse processo, podendo, inclusive, gerar sua própria energia, gerir melhor o seu uso, seja em sua residência ou unidade consumidora, podendo, ainda, demandar novos serviços ao distribuidor de energia elétrica integrando, também, serviços de utilidade pública, como internet, telefone, gás e água.



2.1 - Cenário Internacional

Na atualidade, as redes elétricas inteligentes e seus componentes são temas muito discutidos no cenário energético internacional, sendo que diferentes iniciativas vem sendo adotados conforme suas necessidades.


Por ser um conceito relativamente recente e ao mesmo tempo complexo, a sua implantação está, ainda, em estágio experimental na maior parte dos países no mundo. Alguns se encontram em estágios mais avançados que outros pelo seu nível de qualificação e desenvolvimento econômico e social, como é o caso dos Estados Unidos, Europa e Japão, porém, é certo que a tecnologia terá um papel cada vez mais relevante em todas as áreas da cadeia de geração, transmissão, comercialização e consumo de energia, sendo imprescindível o investimento e implantação da mesma em todos os países do mundo. Segue abaixo o estagio atual de desenvolvimento dessa tecnologia nos mercados Norte-Americanos, Europeu e japonês segundo Kagan et al (4):

• Estados Unidos
: Grau mediano de automação do sistema com uma crescente quantidade de geração distribuída conectada ao sistema;


• Europa: Médio/Alto grau de automação do sistema com um aumento intensivo de unidades de geração distribuída e microgeração conectadas ao sistema, sendo destaque a Alemanha com intensos investimentos em microgeração solar;


• Japão: Alto grau de automação do sistema com um aumento intensivo de unidades de geração distribuída e microgeração conectadas ao sistema.

Em cada país, a implantação de sistemas elétricos inteligentes parte de fatores motivadores individuais de acordo com suas necessidades. Segundo Kagan et al (4) os fatores que impulsionam a implantação nos Estados Unidos, Europa e Japão são :

• Estados Unidos:
Escassez de recursos naturais, confiabilidade do sistema, envelhecimento dos ativos, prospecção de novos serviços;

• Europa:
Questões climáticas, escassez de recursos naturais, confiabilidade do sistema, envelhecimento dos ativos;

• Japão:
Questões climáticas, escassez de recursos naturais, prospecção de novos serviços.


Com relação à evolução da tecnologia nos próximos anos, a tendência é que o mercado internacional foque seus investimentos de forma integrada em diversas áreas como:
• Infraestrutura avançada de medição com comunicação bidirecional;
• Automação de subestação e sistemas de distribuição;
• Eficiência energética e redução de demanda;
• Investimento em TI com implantação de novos serviços; e
• Preparação ou adequação do sistema para integração de unidades de geração distribuída e microgeração.


Com o objetivo de aprofundar o conhecimento e difundir esse tema em todos os ”cantos” do planeta, através da implantação mecanismos de colaboração e troca de experiências entre os países no desenvolvimento de redes de energia elétrica inteligentes, foi criado um grupo de trabalho internacional (International Smart Grid Action Network - ISGAN) no âmbito da Agência Internacional de Energia (Iternational Energy Agency – IEA). Participam desse grupo de trabalho: Austrália, Alemanha, Áustria, Bélgica, Canadá, Coréia do Sul, Espanha, EUA, Finlândia, França, Holanda, Índia, Inglaterra, Irlanda, Itália, México, Noruega, Rússia, Suécia e Suíça. Foram convidados a integrar o ISGAN: África do Sul, Brasil, China, Dinamarca, Japão, e Turquia.


Conforme Bandeira (5), todos esses países possuem projetos pilotos de implantação de smart grids e espera-se que, com a instituição do ISGAN, os países integrantes promovam intercâmbio de conhecimentos no desenvolvimento de ferramentas, e divulguem entre si as melhores práticas adotadas na coordenação de projetos voltados para a implantação de redes de energia elétrica inteligentes.



2.2 - Cenário Brasileiro


No Brasil, o tema ainda está em fase experimental, sendo que o seu desenvolvimento encontra-se mais avançado na automação de subestações e de sistemas elétricos de media e alta tensão, áreas menos dependentes de forças externas como normas e regulamentações como também menos complexas de serem aplicadas. Com relação à medição inteligente, geração distribuída e microgeração, as mesmas vêm sendo encabeçadas por estudos que contam com a participação de concessionárias e permissionárias de distribuição de energia elétrica, onde se encontram em andamento alguns projetos pilotos conduzidos por distribuidoras de energia elétrica nacional entre elas a Light, Cemig, AES Eletropaulo de São Paulo, CPFL e Endesa/Ampla.


Há, também, o Centro de Gestão e Estudos Estratégicos – CGEE vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação – MCTI, que realiza estudos sobre as redes inteligentes de energia (smart grids) com o objetivo de avaliar os desafios, oportunidades e impactos econômicos, industriais, tecnológicos e sociais desta tecnologia na economia brasileira. Os estudos também buscam obter subsídios para formulação de políticas públicas relativas aos diversos órgãos governamentais setoriais envolvidos nas questões. Esse trabalho compõe uma das metas da Estratégia Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação composto por representantes de entidades como o Ministério de Minas e Energia – MME, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio – MDIC, a Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial – ABDI, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia – Inmetro, universidades, CPqD, Operador Nacional do Sistema – ONS, Empresa de Pesquisa Energética – EPE e Agência Nacional de Energia Elétrica - ANEEL, além de dois participantes internacionais, do Reino Unido (National Grid) e da Alemanha (GIZ, ex-GTZ).


De maneira geral, os fatores motivadores que tem impulsionado o estudo e a implantação desse novo modelo de distribuição no Brasil são segundo Toledo (2): “Redução de perdas comerciais, redução de custos operacionais, aumento da confiabilidade do sistema, prospecção de novos serviços.”.

No entanto, muitos desses motivadores e desafios variam de acordo com a região envolvida e a concessionária ou permissionária que atende tal região. No Brasil, em decorrência de sua expressiva extensão territorial e das diferentes culturas predominantes, as diferentes concessionarias e permissionárias vivenciam realidades distintas. Por exemplo, algumas sofrem com altos índices de perdas não técnicas e inadimplência em sua área de atuação, outras atendem regiões com baixa densidade de clientes. Portanto, é essencial que a tecnologia de redes inteligentes não seja copiada do exterior, mas sim, adaptada para as diferentes necessidades do cenário nacional.


Há, ainda, outras entidades nacionais realizando estudos relativos ao tema Smart Grids. Dentre eles, merece destaque o conduzido pela Associação Brasileira dos Distribuidores de Energia Elétrica – ABRADEE, em conjunto com a Associação de Empresas Proprietárias de Infraestrutura e de Sistemas Privados de Telecomunicações – APEL, financiado com recursos do programa de P&D (pesquisa e desenvolvimento) do setor elétrico coordenado pela Aneel. O estudo, que contou com a participação das concessionárias brasileiras de distribuição de energia elétrica, propôs um plano nacional para a migração tecnológica do setor elétrico brasileiro, da atual posição, para a adoção plena do conceito de Rede Inteligente. Desse estudo nasceram dois livros sobre redes elétrica inteligentes no Brasil, ambos com o objetivo principal de analisar os custos e benefícios bem como os subsídios para um plano nacional de implantação.


2.2.1 - Regulamentação das Redes Inteligentes no Brasil

Segundo Bandeira (5), a implantação de projetos de redes inteligentes, a princípio, não requer alteração nas leis que regem o setor elétrico, no entanto, serão necessárias importantes alterações na regulação setorial abrangendo:


a) A redefinição das tarifas, isto é, a instituição de tarifas dinâmicas que induzam a otimização do serviço;

b) O estabelecimento de mecanismos que permitam a recuperação dos investimentos realizados anteriormente e dos investimentos necessários para a implantação de smart grids;

c) A instituição de normas relativas a novos eletrodomésticos, prédios, processos industriais, geração distribuída e armazenagem de energia; e

d) A definição de protocolos e procedimentos que garantam a segurança das informações que trafegarão na rede de fornecimento de energia elétrica, o que é essencial para a viabilização das smart grids.


Em termos nacionais, portanto, normas e regulamentações ainda encontram-se em fase a desenvolvimento e adaptação, sendo que inicialmente podemos destacar o trabalho do Ministério de Minas e Energia - MME, que com a edição da Portaria nº 440, de 15 de abril de 2010, criou um Grupo de Trabalho para analisar e identificar ações necessárias para subsidiar o estabelecimento de políticas públicas para a implantação de um Programa Brasileiro de Rede Elétrica Inteligente – Smart Grid sob gestão da secretaria de energia elétrica.


Além do MME, nos últimos anos, apesar de até recentemente não haver um política nacional para as redes inteligentes de energia elétrica, a ANEEL, também vem desenvolvendo diversas atividades associadas à implantação de redes inteligentes de energia elétrica no país, com destaque para edição de resoluções voltadas para a implantação de medidores eletrônicos inteligentes em unidades residenciais (Resolução Normativa ANEEL nº 502/12); estabelecimento das condições gerais para o acesso de microgeração e minigeração distribuída aos sistemas de distribuição de energia elétrica juntamente com sistema de compensação de energia elétrica (Resolução Normativa ANEEL nº 482/12); e modificações na estrutura tarifária visando à variação horária e sazonal da tarifa para consumidores residenciais (Resolução Normativa ANEEL nº 464/11).


Para subsidiar a implantação das redes inteligentes, a princípio, até que seja definida uma política nacional e formas para financiar ou amortizar tais investimentos, as empresas de energia elétrica estão utilizando recursos dos programas obrigatórios de P&D e PEE (Pesquisa e Desenvolvimento e de Eficiência Energética), onde as mesmas são obrigadas a investir cerca de 1% da receita operacional líquida anual nestes dois Programas. Os projetos são propostos e desenvolvidos pelas próprias empresas a seu exclusivo critério, mas dentro de regras estabelecidas pela Agência, que objetivam garantir uma efetividade mínima destes investimentos. Segundo Boccuzzi (6):

“Estes programas, até agora, se constituíam na fonte de recursos disponível para o desenvolvimento das redes inteligentes e vem sendo utilizados para a implantação de mais de 10 projetos de cidades inteligentes em igual numero de empresas, de um total de 63 distribuidoras existentes no país. Todas as empresas, sem exceção e com diferentes focos, aderentes às suas realidades de mercado e de sistemas, estão investindo na busca de tecnologias de redes inteligentes que possam oferecer retorno econômico e eficiência operacional.”.

A regulamentação necessária à implantação dessas tecnologias e de novos serviços e tarifas é de responsabilidade da ANEEL, enquanto que as normas contendo as especificações e métodos de ensaios para os novos medidores eletrônicos inteligentes requerem a participação da ABNT, sendo que a certificação é de responsabilidade do INMETRO. Portanto existe uma serie de leis, órgãos, regulamentos e normas vinculadas a esse novo conceito de redes de energia elétrica, destacando:

• Leis e decretos federais:
relativos ao fornecimento de energia elétrica e ao modelo tarifário vigente no país;

• Regulamentos da ANEEL:
tratam das condições gerais de fornecimento de energia elétrica e uma serie de resoluções voltadas à medição de energia elétrica;

• Regulamentos do INMETRO: tratam dos requisitos técnicos e metrológicos que os sistemas de medição centralizada devem satisfazer para uso de medição de energia elétrica em unidades consumidoras estabelecendo obrigações para distribuidoras e fabricantes;

• Normas da ABNT:
voltadas aos medidores eletrônicos e ou inteligentes, que tratam de especificações, métodos de ensaio, procedimentos gerais e padronização.



2.3 – Benefícios das Redes Inteligentes

O setor elétrico mundial está vivendo um momento de grandes transformações, motivadas por novas tecnologias que mudarão radicalmente a forma de produzir, transportar, distribuir e consumir energia, através de uma enorme evolução tecnológica jamais vista nesta área, desde a invenção da lâmpada incandescente comercializável em 1879 por Thomas Alva Edison. Essas transformações passam por novos sistemas avançados de medição e de controle inteligentes, pela possibilidade de geração de energia renovável a preços competitivos em pequenas quantidades e principalmente pelo advento de sistemas e equipamentos de uso final muito mais eficientes, que demandam menos energia para proporcionar o mesmo conforto.


A implantação das redes elétricas não interessam somente as distribuidoras de energia elétrica. As práticas adotadas para a sua implantação e os resultados alcançados são de interesse de toda a sociedade. Os benefícios das redes inteligentes se estendem a diversos atores da sociedade, como por exemplo, consumidores, distribuidoras, sistema elétrico, sociedade, meio ambiente, órgãos reguladores, enfim, contribuindo de forma geral para o desenvolvimento do país.


Para as distribuidoras essa essas novas tecnologias permitirão uma melhor administração do sistema elétrico (ativos, energia distribuída e serviços ao consumidor) resultando em uma maior eficiência técnica, econômica, social e ambiental. Segundo Bandeira (5) para as empresas distribuidoras de energia elétrica os desafios são principalmente associados à estruturação e implantação de um plano de mudança de plataforma operativa e de atualização tecnológica, enfocando seus processos operacionais relativos à:

1. Gestão de ativos, abrangendo: expansão da rede, manutenção programada e de emergência, reservas de capacidade e flexibilidade operativa, controle do perfil da carga atendida e da qualidade do fornecimento, e manutenção dos cadastros dos ativos;

2. Gestão do trabalho, com ênfase para despacho otimizado, localização de equipes e materiais, segurança do trabalho e qualidade e eficiência nas as operações;

3. Gestão da receita,
englobando leitura de medidores e entrega de contas, ligação de novos clientes, corte e religação de clientes, controle de perdas, manutenção de cadastros de clientes, gestão de canais de atendimento aos clientes, eficiência energética e novos serviços.
Para os consumidores, a aplicação dessa nova tecnologia proporcionará um participação mais ativa do mesmo na gestão de sua energia sendo uma grande oportunidade de estreitar o relacionamento das distribuidoras com os clientes através da ampliação do numero de canais de interação como, por exemplo: o acompanhamento do consumo da sua unidade consumidora e de noticias da distribuidora mediante a utilização de televisores, telefones celulares, aplicativo computacionais, redes sociais, canais adaptados para pessoas deficientes ou com necessidades especiais etc. Além disso irá permitir a prestação de novos serviços ou tornar mais ágeis os que já existem através, principalmente, da manutenção e do atendimento remoto, além de possibilitar o consumidor o acompanhamento dos níveis de qualidade de energia recebida.


Para a sociedade como também para o meio ambiente, a aplicação dessas tecnologias proporcionarão maior eficácia na realização dos programas de uso racional e eficiente de energia elétrica, melhorias na qualidade da energia distribuída, reduções de furtos de energia, redução das emissões de CO2 e garantias no suprimento de energia visto a ampliação de novas formas de geração, principalmente relacionadas a micro/mini geração e/ou geração distribuída.


De acordo com Toledo (2), os benefícios para os clientes, para a sociedade, partes interessadas relacionadas e para o sistema elétrico incluem:

• Suporte à geração e ao armazenamento distribuído de energia. Possibilidade de participação ativa do consumidor no mercado por meio do conceito de ‘prosumidor’, em que o produtor-consumidor pode armazenar ou fornecer energia para a rede através de geração de energia dentro da própria casa com o uso de gás, etanol, biodiesel, mini turbinas eólicas ou de células foto voltaicas;

• Ampliação dos canais de interação com os clientes e detalhamento do serviço executado, podendo acessar as informações em tempo real do serviço prestado e do consumo de energia;

• Fornecimento de informações aos clientes em tempo real, tarifas, produtos e serviços inovadores, apropriados a sua realidade, proporcionando um melhor planejamento e controle dos gastos com energia elétrica e adequação de seu consumo ao orçamento doméstico;

• Redução de emissões de CO² por consequência da melhora na eficiência energética ocasionadas por diversos motivos entre eles à instalação de equipamentos mais eficientes e inteligentes que consomem menos energia que os atuais;

• Mais produtos e serviços oferecidos pela distribuidora de energia e por parceiros com expansibilidade e suporte a novos tipos de consumidores (veículos elétricos e/ou híbridos recarregáveis);

• Medição inteligente e gestão pelo lado da demanda com possibilidade de uso de tarifas diferenciadas e custos que variam ao longo do ano e do dia. Possibilidade de sincronização dos eletrodomésticos com estes sinais tarifários, por exemplo, bloqueando o uso de equipamentos em determinados horários;

• Melhoria na qualidade do serviço prestado pela distribuidora, além da redução do tempo de atendimento, onde a distribuidora passa a detectar falhas em tempo real deslocando, se necessário, uma equipe o mais rápido possível até o consumidor ou trecho de rede danificado, antes de o próprio consumidor afetado reclamar;

• Maior privacidade em decorrência da não necessidade de visitas frequentes de funcionários das distribuidoras para realizar leituras de dados, cortes e religação dos medidores de energia que passam a ser telecomandados;

• Detecção e correção inteligente de falhas na rede em tempo real, com reconfiguração automática quando possível;

• Gestão preventiva via monitoramento dos ativos da rede e gestão em tempo real da oferta versus demanda de energia;

• Monitoramento da qualidade do fornecimento de energia com melhoria dos índices associados e da confiabilidade do sistema elétrico;

• Redução de perdas técnicas gestão e monitoramento de ativos de rede em tempo real;

• Redução de perdas comerciais com ações de combate ao furto de energia e redução dos índices de inadimplência;

• Melhorias na eficiência operacional das distribuidoras;


Enfim, a realidade das redes inteligentes deve transformar o sistema elétrico em uma moderna rede que permitirá às concessionárias e permissionárias de energia e seus consumidores mudarem a forma como disponibilizam e consomem energia. O momento aponta para um rol cada vez mais extenso de possibilidades tecnológicas a serem implantadas desde medidores eletrônicos de energia, que permitem, em curto prazo, exercitar novas modalidades tarifárias e novos comportamentos de consumo até automação de subestações e sistemas de distribuição, permitindo uma melhor eficiência operacional, principalmente no ambiente de distribuição de energia.
3.0 - CONCLUSÃO

O Smart Grid ou Rede Elétrica Inteligente representa não só a revolução do setor elétrico, como também a revolução de toda a economia mundial, visto a sua complexidade e abrangência. O setor elétrico não somente brasileiro, mas mundial, está diante da oportunidade de evoluir e encontrar soluções práticas que reflitam a realidade dos consumidores e das empresas de energia do século 21.


Eficiência operacional e energética, novas fontes de energia, menor emissão de carbono, tarifas módicas, redução de perdas e maior participação do consumidor são somente alguns dos benefícios vinculados as redes inteligentes de energia elétrica sendo que o principal desafio está em adaptar tais tecnologias ao atual modelo do setor elétrico brasileiro, juntamente com suas leis, decretos normas e regulamentos.


As distribuidoras de energia elétrica já estão mobilizadas e motivadas para empreender esse salto tecnológico que muito contribuirá para a melhoria da qualidade do fornecimento de energia elétrica e consequentemente desenvolvimento do Brasil. Cabe agora, ao governo e o órgão regulador, promoverem os necessários aperfeiçoamentos do ambiente regulatório de modo a viabilizar os investimentos massivos das distribuidoras na implantação das redes elétricas inteligentes.



4.0 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


(1) TOLMASQUIM, Mauricio T.. Novo Modelo do Setor Elétrico Brasileiro. Rio de Janeiro: Synergia, 2011. 290 p.

(2) FABIO TOLEDO. Coordenador. Desvendando as redes elétricas inteligentes. Rio de Janeiro: Brasport, 2012. 293 p.

(3) BOCCUZZI, Cyro Vicente. Tecnologias de Smart Grid no Brasil: Avanços Regulatórios e Institucionais. Disponível em: <www.smartgrid.com.br>. Acesso em: 15 out. 2013.

(4) KAGAN, Nelson et al. Redes Elétricas Inteligentes no Brasil: Análise de custos e benefícios de um plano nacional de implantação. Rio de Janeiro: Synergia, 2011. 260 p.

(5) BANDEIRA, Fausto de Pula Menezes. Redes De Energia Elétrica Inteligentes. Brasilia: Consultoria Legislativa, 2012. 10p. Disponível em: <http://www2.camara.leg.br >. Acesso em: 13 out. 2013.

(6) BOCCUZZI, Cyro Vicente. A Modernização Tecnológica e as recentes mudanças no Setor Elétrico Brasileiro. Disponível em: <www.smartgrid.com.br>. Acesso em: 15 out. 2013.


Flavio Schlickmann
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