A ação do veneno das serpentes e os sintomas

A ação do veneno das serpentes e os sintomas
BIOLOGIA
Entre as serpentes não peçonhentas, algumas matam suas presas por constrição, ou seja, enrolando-se ao redor do corpo e asfixiando-as, como o fazem as jiboias e sucuris. Outras usam, além da constrição, uma saliva tóxica ou injetam veneno.

As glândulas capazes de elaborar secreções tóxicas são a glândula labial superior, a glândula de Duvernoy e a glândula de veneno. A glândula labial superior é característica de serpentes áglifas e está relacionada com a lubrificação de presas. A glândula de Duvernoy é encontrada na maioria dos colubrídeos, sendo as secreções tóxicas para vários animais.

A máxima especialização da glândula de veneno é observada nas serpentes peçonhentas que o usam para paralisar e matar as presas (pequenos mamíferos, anfíbios, lagartos ou outras serpentes). Os sintomas clínicos da picada das serpentes refletem o papel primário do veneno como uma adaptação para alimentação. Os venenos ricos em enzimas das crotalíneos resultam frequentemente em destruição intensa dos tecidos e venenos de elapídeos paralisam músculos respiratórios.

Variações na composição química e nas atividades biológicas das toxinas podem ocorrem entre indivíduos de uma mesma família, gênero ou espécie. Assim, os venenos podem ter diferentes ações no organismo:

Acidente Botrópico
Acidente ofídico de maior frequência no Brasil (cerca de 90% dos casos). No entanto, a ocorrência de mortes é baixa geralmente ocorre devido à demora no tratamento ou a procedimentos inadequados. Como a ação local do veneno é intensa, podem ficar sequelas anatômicas ou funcionais.

Ação do veneno: proteolítica (lesão tecidual), anticoagulante e hemorrágica.
Há diferença entre o veneno do filhote, que é predominantemente anticoagulante, e do adulto, com maior ação proteolítica. Também há diferença no veneno entre espécies.

Manifestações: dor; inchaço de intensidade variável e progressivo; sangramento no ponto da picada. Pode haver sangramento de gengivas e de outros ferimentos pré-existentes. Bolhas podem aparecer com a evolução do caso, acompanhadas ou não de necrose. Pode haver complicações como choque ou insuficiência renal aguda em decorrência da ação direta do veneno sobre os rins.

Tratamento geral: Manter elevado e estendido o segmento picado; analgésicos; hidratação e soro.

Classificação do acidente:
1. Leve: dor e inchaço local pouco intenso ou ausente, manifestações hemorrágicas discretas ou ausentes, com ou sem alteração do tempo de coagulação.
2. Moderado: dor e inchaço evidente ultrapassando a região da picada, acompanhados ou não de alterações hemorrágicas locais ou sistêmicas.
3. Grave: inchaço local intenso e extenso, podendo atingir todo o membro picado, acompanhado de dor intensa e, eventualmente com presença de bolhas. O edema pode levar à isquemia local devido à compressão de vasos e nervos. Hipotensão arterial, choque ou hemorragias intensas.
Acidente Laquético
Os acidentes laquéticos são raros, mas são classificados como moderados ou graves devido ao grande porte do animal e da quantidade de veneno injetado. Possuem características semelhantes aos acidentes botrópicos.

Ação do veneno: proteolítica (lesão tecidual), anticoagulante, neurotóxica e hemorrágica.

Manifestações: dor; inchaço de intensidade variável e progressivo; sangramento no ponto da picada. Bolhas podem aparecer com a evolução do caso, acompanhadas ou não de necrose. Pode haver tontura, escurecimento da visão, hipotensão, cólicas abdominais e diarreia.
Necrose extensa da perna esquerda decorrente de acidente laquético grave. Tratamento geral: Manter elevado e estendido o segmento picado; analgésicos; hidratação e soro.

Acidente Crotálico
Bem menos freqüente (8% dos casos) que os acidentes botrópicos. No entanto, é de maior gravidade ser capaz de levar morte por insuficiência renal. Para uma melhor recuperação, o atendimento deve ser feito em até 6 horas após o acidente.

Ação do veneno: neurotóxicas (provocado paralisias motoras); miotóxicas (com lesão de fibras musculares) e anti-coagulante. Não há diferença entre o veneno de juvenis e adultos. Há variação na atividade do veneno de jovens e adultos.

Manifestações: não há dor local, pode ocorrer inchaço discreto e vermelhidão.
As manifestações sistêmicas são mal-estar, cefaleia, prostração, sudorese, náusea, vômito, sonolência ou inquietação e secura da boca. Devido à ação neurotóxica, o paciente apresenta visão dupla e borrada e sua face se apresenta alterada (pálpebras caídas, aspecto sonolento). Podem ocorrer ainda dor muscular e a urina pode se tornar escura de 6 a 12 horas após a picada, devido à destruição das fibras musculares, causando sobrecarga no rim.

Tratamento geral:
hidratação e soro.

Classificação do acidente:
1. Leve: nenhuma ou tardia paralisia facial ou visão turva; sem dores musculares; urina de coloração normal;
2. Moderado: pouca paralisia facial ou dor no corpo, pouca alteração na cor da urina;
3. Grave: paralisia facial evidente; dor intensa; coloração da urina bastante modificada.

Acidente Elapídico
É responsável por 0,4% dos acidentes com serpentes peçonhentas. No entanto, todos os acidentes são considerados graves, pois podem levar à morte por insuficiência respiratória aguda. Há diferença entre o veneno de diferentes espécies.

Ação do veneno:
neurotóxica.

Manifestações: pouca ou nenhuma dor local; vômitos; fraqueza muscular progressiva; salivação; visão dupla e borrada; face se apresenta alterada (pálpebras caídas, aspecto sonolento); dificuldade para manutenção da postura ereta; dor muscular; e nos casos mais severos, paralisia da musculatura respiratória.

Tratamento geral: soro e respiração artificial, no caso de uma parada respiratória.

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