O acúmulo de lixo no planeta

O acúmulo de lixo no planeta
BIOLOGIA
O lixo vem se tornando uma problemática de cunho mundial. Em toda a história da humanidade, nunca se ouviu falar tanto em lixo e na necessidade de se preservar o meio ambiente como atualmente. Não se sabe o que fazer com tanto lixo produzido. Mas o que temos feito com relação a isso?

Apesar de esse discurso ser tão enfatizado, poucas ações são executadas de fato. Para tal constatação, basta olharmos à nossa volta e vermos que sacolas plásticas, papéis, garrafas PET e de bebidas alcoólicas (vidros), dentre outros, são descartados em locais impróprios como nas ruas e em rios.

Com o crescimento populacional e, na mesma medida, a necessidade de utilizar os recursos extraídos da natureza para obtermos lazer, moradia e bem-estar, a produção de bens de consumo passou a ocorrer em larga escala. Diariamente, há um grande aumento na produção de resíduos que passam a serem considerados inúteis e indesejáveis por nós, e consequentemente descartados, desencadeando assim, um dos maiores problemas enfrentados pela sociedade da atualidade: a produção desenfreada de lixo.

Você já parou para pensar na quantidade de lixo que produz? O que tem feito com o lixo de cada dia? Se fôssemos analisar a nossa produção diária, certamente iríamos ficar chocados. Estamos tão habituados a produzir esses resíduos que não nos damos conta da intensidade da nossa produção; podemos afirmar que temos feito do nosso planeta, um verdadeiro depósito de lixo. Boa parte da população não se mostra preocupada se haverá futuramente espaço para acumular tantos resíduos. Além de reduzir a quantidade de lixo produzido, temos que analisar com cuidado o destino que daremos a ele. Somos nós os principais responsáveis por esse problema social e ambiental.

O lixo que uma nação produz está ligado ao modo de vida de seu povo. Pesquisas realizadas afirmam que um cidadão norte-americano produz, em média, cerca de 3 quilos de resíduos por dia. Os Estados Unidos considerado como o país que mais gera lixo no mundo, cerca de 200 milhões de toneladas por ano. O seu desenvolvimento e renda per capita são maiores e na mesma vertente, o poder de consumo, gerando assim mais resíduos.

De acordo com os dados da Pesquisa Nacional de Saneamento Básico (PNSB), elaborada pelo IBGE em 2000, cada brasileiro produz de 0,5 a 1 quilo de lixo por dia. Considerando o número de habitantes, de 190 milhões, é muito lixo, aproximadamente 88 milhões de toneladas anuais. Com tantos desperdícios de alimentos, há aproximadamente 16,27 milhões de pessoas no Brasil em situação de miséria, inclusive passando fome (IBGE, 2000).

Esses resíduos sólidos, de acordo com sua origem e produção, podem ser classificados em diferentes tipos. Falaremos dos principais que são: domiciliar, comercial, industrial e hospitalar. O lixo domiciliar é aquele produzido nas residências. Temos como exemplo restos alimentares, sacolas plásticas, garrafas descartáveis, entre outros. O lixo comercial é gerado pelo setor de comércio, como lojas, supermercados e bancos. São mais comuns os papéis e plásticos. O lixo produzido nas indústrias é bastante variado, dependendo da natureza industrial, podem ser óleos, resíduos alcalinos ou ácidos, madeiras, borrachas, metais e outros. O lixo hospitalar resulta de materiais usados no tratamento de saúde em hospitais, postos de saúde, clínicas, laboratórios e farmácias. São representados por seringas, agulhas, bandagens, algodão, sangue e medicamentos com prazos de validade vencidos, entre outros.

De acordo com a sua composição química, os resíduos podem ser orgânico e inorgânico. O lixo orgânico é representado por restos de comidas, frutas, verduras e restos de plantas como folhas, galhos, pedaços de madeira. Estes são de decomposição relativamente rápida. Já o lixo inorgânico pode se dizer que é o mais prejudicial ao meio ambiente, pois leva anos para ser decomposto. São resultantes de produtos industrializados como plásticos, vidros, papéis, metais, entre outros. A ressalva para esses é que podem ser reciclados ou reutilizados.

O conhecimento sobre o tipo de lixo é de extrema importância, pois disso depende a sua classificação e destinação final para o tratamento. Existem várias formas de se tratar o lixo, entre as quais: compostagem, incineração, aterro sanitário e reciclagem. A compostagem é usada para tratar resíduos de origem orgânica, como restos de vegetal e alimentos em geral, que são transformados em adubo para agricultura e jardinagem, ocasionando menos riscos ambientais. A compostagem produz o chorume, que contamina a água, se não tratado.

A incineração é usada principalmente na queima do lixo hospitalar. Este processo apresenta custos elevados e há a necessidade de rigoroso controle contra a emissão de gases poluentes. Porém, com a incineração eliminando os patógenos presentes no lixo hospitalar, há uma redução de 70% da massa e 90% do volume dos resíduos, gerando uma economia de espaço nos aterros. O aterro sanitário é a forma mais usada para depositar o lixo. Nesse tipo de tratamento, deve se dispor o lixo em camadas cobertas de terra, onde são construídos sistemas de drenagens para os gases tóxicos. O chorume também deve ser tratado. As áreas destinadas aos aterros sanitários têm vida útil reduzida, e novas áreas precisam ser abertas, causando novos impactos ambientais e econômicos. Sabe-se que o espaço urbano se encontra limitado devido ao grande número de habitantes, sendo assim, os aterros estão sendo instalados muito longe, o que eleva o custo.

Boa parte das cidades brasileiras tem apenas lixões a céu aberto. Entre os problemas causados por esses, está: as poluições do solo, da água, do ar e visual; o odor fétido que exalam; há também os problemas relacionados à saúde pública, pois esses lixões são locais de disseminação de diversos vetores de doenças como ratos, moscas e baratas.

Uma alternativa para minimizar o acumulo de lixo no planeta, poderia ser a reciclagem, associada à coleta seletiva e aos 5 R’s (Repensar, Reduzir, Reutilizar, Reciclar, Recusar. A reciclagem pode ser definida como a transformação de algo considerado lixo como matéria-prima para a criação de um novo produto ou objeto.

Jogar fora apenas coisas que realmente não servem mais seria uma das possíveis soluções para diminuir a produção de lixo. A maior parte do que jogamos fora todos os dias, ainda pode ter serventia. Vidros, latas de alumínio, papéis, embalagens plásticas podem ser reaproveitados ou reciclados. Se os reutilizarmos de alguma forma, evitaremos uma possível catástrofe ecológica devido ao acúmulo de tanto lixo em locais impróprios. Isso somente será possível por meio da sensibilização, não apenas por parte das autoridades, mas, sobretudo, por parte da população e dos órgãos responsáveis pela preservação ambiental, dando destinação adequada a esses resíduos sólidos e fazendo valer a aplicabilidade dos 5 R’s: repensar, reduzir, reutilizar, reciclar, recusar.

Sendo assim, a fórmula mais prática de se resolver a aplicabilidade seria se a sociedade, de forma geral, pensasse em políticas públicas voltadas para um consumo sustentável. Pensar não apenas na destinação adequada para o lixo, mas, principalmente, em poupar os recursos naturais. Por meio do reaproveitamento de materiais como plástico, vidro, borracha e papel, estaríamos colaborando diretamente com a preservação de importantes elementos da natureza como, por exemplo, as árvores, que servem de matéria-prima para fabricação de papéis.

A reciclagem é uma das alternativas consideráveis para solucionarmos a questão do acúmulo de lixo no mundo. Porém não pode ser vista como única. Deve ser levada em consideração a mudança dos hábitos por parte da sociedade, com atitudes que levem em consideração o desenvolvimento de preservação e conservação da natureza por meio de atitudes como repensar seus hábitos de consumo; reduzir o consumo e diminuir a geração e o descarte de resíduos sólidos; reutilizar plásticos, vidros e papéis para aumentar a vida útil de cada produto; reciclar para transformar o que seria descartado em um novo produto e recusar produtos que agridam a saúde e o ambiente.
Essas atitudes podem levar a sociedade a tomar medidas mais abrangentes, com ações que minimizem a quantidade de resíduos na própria fonte geradora. Devemos ter em mente que esse processo educativo é permanente e contínuo. Ele visa a desenvolver uma postura de maior harmonia e respeito com a natureza e entre os homens, propiciando conhecimentos e o exercício da cidadania para uma atuação crítica e consciente dos indivíduos, assumindo assim uma prática cotidiana que melhore nossa qualidade de vida e a do nosso planeta.

Maria Elizabete e Silva

Maria Elizabete E Silva
PÓS GRADUADA EM EDUCAÇÃO AMBIENTAL-UNICID PROFESSORA DA REDE ESTADUAL DE MATO GROSSO E DA REDE MUNICIPAL DE TANGARÁ DA SERRA-MT
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