Autismo X Síndrome de Asperger

Autismo X Síndrome de Asperger
PEDAGOGIA
O Autismo foi, ao longo do tempo, para todos os tipos de profissionais, objeto de estudo e trabalho, com a pretensão de serem capazes de tratá-lo ou curá-lo (WILLIAMS, 1996, p.7).

Frith (1989) descreveu dois casos, um no final do século XVIII e outro no início do século XIX. O menino de Aveyron e Kaspar Hauser aparentemente exibe os comportamentos associados com o entendimento de autismo nos dias de hoje. Kanner (1943), em Baltimore nos EUA, foi o primeiro a utilizar o termo autismo infantil associado a comportamentos diferenciados das crianças que estava tratando. Hoje se percebe que é um transtorno ao longo da vida e não se limita apenas à infância.

A distinção entre autismo e síndrome de Asperger não é universalmente aceita. O quadro de autismo e síndrome de Asperger tem similaridades nos quesitos de diagnóstico. A diferença está apenas em que na síndrome de Asperger a memória é privilegiada e os aspectos cognitivos e da Linguagem não apresentam atraso.

Hans Asperger, trabalhando em Viena, em 1944, inconsciente do trabalho de Kanner, descreve um grupo de crianças com comportamentos semelhantes aos descritos por Kanner. No quadro a seguir, mostra-se uma comparação entre o autismo de Kanner e a síndrome de Asperger.

Importante ressaltar que Asperger publicou os seus estudos na Alemanha, no final da 2ª Guerra Mundial, mas somente nos últimos dez ou quinze anos é que o termo Síndrome de Asperger tem sido utilizado em diagnóstico.

Comparação entre Autismo de Kanner e Síndrome de Asperger
Autismo de Kanner


- Incapacidade de se relacionar afetivamente com as pessoas desde os primeiros anos.

- Uma ansiedade excessiva e desejo de manter na mesmice.

- Falta da Linguagem falada ou uso da Linguagem sem Intenção comunicacional.

- Sensibilidade acima da média para estímulos internos e externos.

- Fascinação por objetos como uma folha, tampas ou cordas, que são tratados com habilidade e destreza.

Síndrome de Asperger
- Falta de reciprocidade e empatia nas interações sociais, apesar de desejar certo grau de Interação.

- Dependência de rotinas repetitivas e uma necessidade de uniformidade nos ambientes.

- Habilidade de memorização de detalhes dentro de um estreito campo de interesse.

- Fala formal desenvolvida prematuramente, mas mecânica e pode parecer estranha e pedante.

- Atenção acima da média para estímulos externos e internos.

- Falta de destreza motora – marcha e postura diferenciadas.

Hardy et al (2002) esclarece que o termo síndrome de Asperger tem sido utilizado para um diagnóstico semelhante às deficiências do autismo, mas as pessoas que apresentam esta síndrome tendem a apresentar maiores habilidades linguísticas e intelectuais.

Wing (1996) afirma que embora a síndrome de Asperger não seja conhecida há muito tempo, ela está entre subgrupos, de uma série de distúrbios, que afetam interação social e a comunicação.

Secunho (apud CAMARGOS, 2005) organiza uma lista de orientações para conduzir melhor as crianças com síndrome de Asperger:


- Procurar, na medida do possível, manter uma rotina (hora/atividades/local/objetos);

- Manter condições de certa estabilidade evitando muitas transições com frequências (mudar de escola, empregadas, tipo de alimentos);

- Oferecer um ambiente previsível e com segurança (evitar surpresas);

- Evitar situações de esperas prolongadas (causa ansiedade, choro e crises de agressividade);

- Visar gradativamente ir ampliando a gama de interesses que tende a ser restrito e repetitivo (brinquedos/comidas/objetos);

- Explicar com clareza as ideias implícitas que eles não conseguem entender;

- Facilitar, oferecer ajuda nos contatos e interações sociais (dar modelo de brincadeiras);

- Dar oportunidade de mostrar suas habilidades, suas áreas mais bem desenvolvidas;

- Ajudar na sequência de uma conversação, quando for observada certa repetição ou colocações fora do contexto social;

- Minimizar situações onde eles apresentam situações inapropriadas de estranheza ou excentricidade;

- Dar oportunidade de se organizarem evitando serem tachados de “nerds” facilitando um melhor convívio em alguma atividade em grupo;

- Aproveitar seu nível normal de inteligência e linguagem e oferecer tarefas que possam desenvolver com sucesso e em consequência serem melhor aceitos;

- Evitar que os colegas os enganem, pois são facilmente passados para trás;

- Ficar atentos à sua fala, pois o discurso é bom, porém o conteúdo da comunicação é pobre;

- Ensinar regras sociais simples, aquelas que as demais crianças aprendem sozinhas;

- Evidenciar as metáforas que eles não captam (explicar a piada);

- Dar modelo de interação social, apresentar o colega, conduzir uma pequena conversa;

- Explicar a elas, quando apresentarem uma resposta inadequada a uma situação social que envolve uma emoção, que elas não foram capazes de entender;

- Sugerir à família que os ajudem a melhorar sua performance de coordenação motora geral;

- Treinar na área de educação física;
- Evitar competições na medida do possível;

- Ajudar a desenvolver jogos que visam melhorar habilidades motoras;

- Oferecer atividades de artes, visando melhorar a coordenação motora fina;

- Prevenir situações de possível estresse visando evitar explosões de raiva e choro;

- Evitar situações surpresas, prevenir, preparar para mudanças e situações novas;

- Ensinar as regras de modo claro e adaptar a regra à necessidade específica daquela criança;

- A equipe da escola deverá ser orientada sobre as peculiaridades dessa criança (professor de música/educação física, pessoal da segurança/ limpeza);

- Ficar atento às mudanças de comportamento, condutas depressivas, isolamento, mutismo ou crises agressivas,

- Oferecer um modelo de rotina diária em casa e na escola, evitar rigidez e condutas repetitivas;

- Enfatizar junto aos colegas suas habilidades;

- Oferecer estímulos visuais como mapas, esquemas, eles são hábeis nesta área;

- Procurar usar técnicas acadêmicas visando diminuir a alienação e instabilidade;

- Ensinar a eles como melhor expressar seus sentimentos de medo e suas ansiedades;

- Dosar as cobranças, organizar planos de estudo e tarefas, criando rotina sem sobrecargas, passo a passo;

- Oferecer ajuda sistemática nas tarefas que exijam raciocínio abstrato, o aprendizado deles é essencialmente concreto (na matemática);

- Ajudar a desenvolver aspectos da compreensão, pensamentos verbais, abstrações e fantasias;
- Fazer paralelo entre mudanças no tempo e no humor, mas emoções. Dar exemplo: alegria / tristeza / raiva / prazer / amor;

- Dar modelos de solução de problemas, passo a passo, problemas de matemática e problemas da vida diária;

- Saber perceber a diferença entre seu ótimo nível de leitura e sua fraca capacidade de interpretação e compreensão;

- Oferecer explicações mais concretas. Dar exemplos a situações muito abstratas;

- Ensinar sobre comportamentos em diferentes locais: igreja/esta/escola/parque...;

- Evitar situações repetitivas e estereotipadas, ensinar a brincar de faz de conta;

- O educador é fundamental como modelo, ser calmo e afetuoso;

- Definir com clareza noções de propriedade – o meu, o seu, o nosso;

- Enfatizar, clarificar as regras do jogo;

- Ensinar ou mesmo treinar normas sociais, o que é certo, o que é errado, o que pode, o que não pode;

- Enfatizar explicações sobre aspectos ligados à censura. Conduta adequada, ao lugar certo (principalmente condutas sexuais, exemplo masturbar em público);

- Oferecer na medida do possível um ambiente de trabalho estável, quanto ao local / horário / tarefas e pessoas.

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