Burnout e estresse ocupacional

Burnout e estresse ocupacional
PSICOLOGIA

Para Guimarães (2002), devido ao fato de essas síndromes serem ocasionadas a partir de situações relacionadas ao trabalho, há quem desconsidere suas diferenças. No entanto, embora não haja na literatura um consenso em relação à gênese das mesmas, burnout não é o mesmo que estresse ocupacional. 

Burnout é o resultado de um prolongado processo de tentativas de lidar com determinadas condições de estresse. O estresse pode ser visto como seu determinante, mas não coincide com o mesmo. Guimarães, (2000) explora a ideia de que burnout não resulta só do estresse em si (que pode ser inevitável em profissões assistenciais), mas do “estresse não mediado”, do estresse não moderado, sem possibilidade de solução.

Assim, Burnout não é um evento, mas sim um processo, e apesar de compartilharem duas características - esgotamento emocional e escassa realização pessoal - burnout e estresse ocupacional diferem pelo fator despersonalização (Guimarães, 2000). León (1999) considera o burnout como um quadro clínico mental extremo do estresse ocupacional.

Através de pesquisa longitudinal, realizada com psicólogos escolares dos EUA, Mills e Huebner (1998) observaram a natureza transacional do relacionamento entre burnout e experiências ocupacionais estressantes. Os dados sugerem que não somente estas experiências podem predispor os indivíduos ao burnout, mas também que elevados níveis de burnout podem levá-los a desenvolver estresse ocupacional adicional.

Parece haver um consenso em torno de a síndrome poder ser caracterizada como uma resposta ao estresse laboral crônico, mas é importante que seus conceitos sejam mantidos distintos. Burnout tem como consequência uma dessensibilização dirigida às pessoas com quem se trabalha, incluindo usuários, clientes e a própria organização, e o estresse é um esgotamento diverso que, de modo geral, interfere na vida pessoal do indivíduo, além de seu trabalho (Codo et al, 1999). Entretanto, apesar de suas particularidades, as diferenças entre os dois não são claras em função dos fatores desencadeadores serem muito próximos, o que dificulta o estabelecimento de um diagnóstico preciso e de uma relação de comorbidade.

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