A planta medicinal garra do diabo (Harpagophytum procumbens)

A planta medicinal garra do diabo (Harpagophytum procumbens)
FARMACIA
A Harpagophytum procumbens é nativa da África do Sul e há muito tempo vem sendo utilizada pelos índios desta região, no tratamento de distúrbios do trato gastrointestinal e condições reumáticas.

Um fazendeiro de origem alemã, que se instalou na África do Sul, passou a cultivar essa planta e a exportou para a Europa, difundindo o seu uso como suporte no tratamento de doenças reumáticas ou degenerativas das articulações, tendinites e outros tipos de dores como dor de cabeça, lombalgia e dores menstruais, para herbalistas da Inglaterra, Europa e Canadá (CHANTRE et al, 2000).

Apesar do grande uso que era feito desta espécie, estudos para a comprovação da atividade farmacológica só começaram a ser realizados após a primeira guerra mundial, tendo sido realizados os trabalhos pioneiros na Alemanha.

Com crescente aumento da procura por H.procumbens suas populações selvagens vêm sendo reduzidas rapidamente, devido principalmente a exploração predatória das plantas nativas. Atualmente, existem alguns fazendeiros na Namíbia adaptando esta espécie ao plantio controlado e racional, visando atender a crescente demanda do mercado externo (CHANTRE et al, 2000).

A garra do diabo pertence à ordem Scrophulariales da classe Rosopsida. O gênero Harpagophytum compreende duas espécies (H. procumbens e H.zeyheri) e cinco subespécies. Cada subespécie possui distribuição em áreas distintas, sendo aqui a H. procumbens é encontrada nas áreas arenosas na Namíbia e no sul da Botsuana. O nome garra do diabo é originado das frutas desta planta rasteira e perene, as quais aparecem cobertas de espinhos em forma de ganchos.

As frutas têm de 7-20 cm de comprimento e cerca de 6 cm de diâmetro, e aproximadamente 50 sementes negras. As flores são de cor rosa claro e avermelhado e as folhas são verde escura com formato característico.

Composição química
Glicosídeos iridóides são encontrados em concentrações que variam entre 0,5 a 3%, dependendo do local de coleta e da época do ano. O primeiro composto isolado desta classe foi o harpagosídeo em 1962, seguindo, após o isolamento deste, a procumbina em 1964 e em 1983, foram isolados mais 3 glicosídeos iridóides, aos quais foram atribuídos nomes similares, sendo ligados à diferentes açúcares (CHANTRE et al, 2000).

Estes glicosídeos são sintetizados a partir da via do ácido mevalônico. Suas geninas possuem um anel furânico ou pirânico. Os piranos, a-piranos e y-piranos, em suas reações, assemelham-se a compostos alifáticos insaturados, porém seus sais possuem triplas insaturações e são muito aromáticos.

Alguns pesquisadores creem que o efeito terapêutico dos glicosídeos é dado pelos anéis furânico e pirânico, os quais podem ser aceptores de elétrons, produzindo assim a oxidação do substrato (CHANTRE et al, 2000).

Foram identificados apenas dois flavonóides, a luteolina e o kaempferol, uma quinona, denominada harpagoquinona e dois fitosteróis, o estigmasterol e o β-sistosterol. Estão presentes numa quantidade de cerca de 50%, tendo como principal um tretrasacarídeo denominado estachiose, o qual se encontra nesta espécie em torno de 46% ou mais. São encontrados outros carboidratos em pequenas quantidades, tais como a rafinose, sacarose e alguns monossacarídeos. Nesta espécie não foram encontrados polissacarídeos, então se sugere que os carboidratos descritos representam a reserva de açúcar da planta, resultando em uma grande fração hidrossolúvel (50 – 70%), o que é pouco comum.

Dentre os triterpenos encontrados estão principalmente os ácidos ursólico, oleanóico e 3-β-acetiloleanóico, além de alguns outros derivados.

Atividades farmacológicas
As principais atividades farmacológicas da Harpagopbytum procumbens são a anti-inflamatória e analgésica. A primeira foi testada in vitro, observando-se que a planta não exercia atividade sobre a produção de prostaglandinas. Estudos realizados in vivo, utilizando ratos, camundongos e cobaias, o tratamento com o harpagosídeo reduziu que a administração de 20 mg/kg/dia de H. procumbens é equivalente de 40 mg/kg/dia de fenilbutazona, entretanto, esta ação não é equivalente à indometacina.

Já o extrato aquoso da planta apresenta efeito anti-inflamatório sobre inflamação aguda na dosagem de 10 mg/kg, e esta é comparável à dose de 2,5 mg/kg de indometacina. Apresenta também, ação analgésica periférica com doses acima de 100 mg/kg, sendo que a utilização do extrato da planta a 200 mg/kg possui efeito similar à obtida por 68 mg/kg de ácido acetilsalicílico. Estes resultados demonstram claramente a potente ação do extrato aquoso de H. procumbens na inflamação aguda e efeito analgésico periférico (CHANTRE et al, 2000).

Ainda são observados redução das taxas de colesterol e de ácido úrico sérico, efeito estimulante sobre o sistema linfático, ação antiespasmódica, mas ainda são necessários estudos para esclarecimento destas ações.

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