A Saúde do Profissional de Enfermagem no Ambiente Hospitalar

A Saúde do Profissional de Enfermagem no Ambiente Hospitalar
ENFERMAGEM
Graziele Justi 1
Rosana Amora Ascari 2

1- Graziele Justi. Enfermeira. Aluna de Curso de Especialização em Enfermagem do Trabalho do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa Extensão e Pós-Graduação
2- Rosana Amora Ascari. Enfermeira. Mestre em Saúde Coletiva, Docente da Universidade do Estado de Santa Catarina. Docente do Centro Sul Brasileiro de Pesquisa Extensão e Pós-Graduação

RESUMO:

Doença ocupacional é a alteração da saúde do trabalhador, provocada por fatores ambientais ou sociais associadas ao trabalho. O objetivo deste estudo é identificar os fatores que podem influenciar na saúde e descrever as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho que mais acometem os trabalhadores de enfermagem no ambiente hospitalar. Julga-se necessário conhecer os fatores que influenciam na saúde dos profissionais de enfermagem no ambiente hospitalar a fim de que não só evite futuros adoecimentos como também proporcione um melhor atendimento ao paciente. É um estudo de revisão de literatura, baseado em artigos nacionais disponibilizados na Biblioteca Virtual em Saúde, através dos descritores: Doença Ocupacional; Acidente de Trabalho e Saúde do Trabalhador. Foram selecionados onze artigos que faziam relação com o tema proposto. O estudo aponta como resultados que, o absenteísmo é maior na população feminina, e retrata a dupla jornada de trabalho entre a atividade laboral profissional e atividades familiares. Verifica-se que muitos dos acidentes de trabalho ocorrem mais com materiais perfurocortantes, devido à pressa do serviço ou pela confiabilidade do trabalho.

Palavras-chave: Doença Ocupacional. Acidente de Trabalho. Saúde do Trabalhador de enfermagem.

1 INTRODUÇÃO

A Enfermagem é uma das profissões da área da saúde cuja essência e especificidade é o cuidado ao ser humano, individualmente, na família ou na comunidade, desenvolvendo atividades de promoção, prevenção de doenças, recuperação e reabilitação da saúde, atuando em equipes. (ROCHA e ALMEIDA, 2000). Além disso, devemos observar que o aspecto fundamental de maior eficiência, de maior qualidade no atendimento ao paciente, esta aliada à satisfação dos trabalhadores.

E, para isso ocorrer é necessário à motivação destes profissionais atuantes na área da saúde. A motivação destes trabalhadores está ligada, segundo Pereira e Fávero (2001), a dois fatores: higiênicos e motivacionais. Os fatores higiênicos referem-se “às condições físicas e ambientais de trabalho, o salário, os benefícios sociais, as políticas da empresa, o tipo de supervisão recebida, o clima de relações entre a direção e os empregados, os regulamentos internos”, entre outros. Os fatores motivadores referem-se ao conteúdo do cargo, às tarefas e aos deveres relacionados com o cargo em si, produzindo efeitos duradouros de satisfação e aumento de produtividade em níveis de excelência.

A enfermagem em seu dia a dia esta exposta a vário risco. Uns deles é o risco físico que está exposto a procedimentos incorretos, a fontes de ruído, alarmes de monitores, manuseamento de materiais, alterações térmicas e outros. Em seguida o risco biológico que é o perigo de infecção e contaminação no manuseamento de sangue e derivados. Há também o risco psicológico que esta ligada ao desgaste do organismo em consequência direta ou indireta da atividade desenvolvida.

As doenças ocupacionais e os acidentes de trabalhos são as que estão diretamente relacionadas à atividade desempenhada pelo trabalhador ou às condições de trabalho às quais ele está submetido.

Em seguida os fatores que mais contribuem para a ocorrência do acidente de trabalho são o espaço de trabalho com estrutura física inadequada, a falta de proteção em máquinas perigosas, às ferramentas defeituosas, possibilidade de incêndio e explosão, esforço físico intenso, levantamento manual de peso, posturas e posições inadequadas, pressão do empregador por produtividade, ritmo acelerado na realização das tarefas, repetitividade de movimento, extensa jornada de trabalho com frequentes realizações de hora-extra, pausa inexistente, e presença de substâncias tóxicas (BRASIL, 2002).

Com base no exposto faz-se a seguinte pergunta: Quais os fatores que podem influenciar a saúde dos profissionais de enfermagem no ambiente hospitalar? O objetivo geral deste estudo é identificar os fatores que podem influenciar na saúde dos profissionais de enfermagem e descrever as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho que mais acometem os trabalhadores de enfermagem no ambiente hospitalar.
A consulta bibliográfica foi realizada através da BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), utilizando se palavra-chave doença ocupacional, acidente de trabalho, saúde do trabalhador de enfermagem. Os artigos selecionados para esse estudos foram artigos de língua portuguesa.
Julga-se necessário conhecer os fatores que influenciam na saúde dos profissionais de enfermagem no ambiente hospitalar a fim de que não só evite futuros adoecimentos como também proporcione um melhor atendimento ao paciente.

Os dados encontrados estão organizados conforme a complexidade do tema “A saúde do profissional de enfermagem no ambiente hospitalar” mostrando os fatores que influenciam a saúde do trabalhador de enfermagem, as doenças ocupacionais e os acidentes de trabalho. Através dessas informações foi construído um quadro cujos dados foram retirados do autor, da população e dos principais resultados. Eles foram trabalhados à luz de vários autores, pois é um estudo de revisão da literatura, fazendo comparações de autores para que possamos adicionar dados novos, rebater ou reforçar o que este definido. Sendo importante ressaltar que as maiorias dos artigos contem públicos, objetivos e temáticas diferentes, mas têm um tema comum que é a saúde dos enfermeiros no ambiente hospitalar.

2 REFERÊNCIAL TEÓRICO

As condições de trabalho e saúde da equipe de enfermagem tem apresentado na maioria dos hospitais uma forma de trabalho que é inconcebível, doentia e contradiz todas as regras básicas para ambientes saudáveis em todos os aspectos. Verifica-se que o ambiente hospitalar é um lugar onde são tratados problemas de saúde da população, devendo existir condições adequadas para o exercício profissional. No entanto, estas são organizações exigentes, competitivas e burocratizadas, que massacram os trabalhadores, e provocam repercussões na qualidade da assistência, ou seja, no cliente. (SILVA, 2006)

Além disso, a profissão de enfermeiro atua em várias áreas da saúde como gerencial assistencial e administrativa, ou seja, prestam assistência ao paciente em hospitais; coordenam serviços de enfermagem, programam ações de caráter preventivo, curativo ou de reabilitação.

No contexto ambiente hospitalar, verificamos segundo Elias e Navarro (2006) que apresenta aspectos muito específicos como a excessiva carga de trabalho, o contato direto com situações limite, o elevado nível de tensão e os altos riscos para si e para os outros. Escreve o autor ainda que e comum entre os trabalhadores da saúde, porque alguns têm os salários insuficientes para a manutenção de uma vida digna.

É importante ressaltar que de acordo com Martins apud Amestoy et al (2006) as organizações hospitalares são sistemas complexos, constituídos por diversos setores e profissões, tornando-se instituições formadas por trabalhadores expostos a situações emocionalmente intensas tais como vida, doença e morte, o que frequentemente desencadeia ansiedade, tensão física e mental.

E dentre as atividades administrativas efetuadas pelo enfermeiro no hospital, destacam-se realiza a estatística dos atendimentos ocorridos na unidade; lidera a equipe de enfermagem no atendimento dos pacientes críticos e não críticos; coordena as atividades do pessoal de recepção, hotelaria, limpeza e portaria; soluciona problemas decorrentes com o atendimento médico-ambulatorial; aloca pessoal e recursos materiais necessários; realiza a escala diária e mensal da equipe de enfermagem; controla estoque de material, insumos e medicamentos; verifica a necessidade de manutenção dos equipamentos do setor. (BRITO SD).

Algumas doenças ocupacionais no ambiente hospitalar é provocado segundo Oliveira (2001) pelos esforços de auxílio ao paciente com dificuldade de locomoção e até de levantar-se do leito, a passagem de macas ao leito e vice-versa, os períodos de jornadas, os horários noturnos, iluminação artificial predominante, deambulação com posições viciosas, movimentos repetitivos etc., justificam perfeitamente as resposta de lombalgias (coluna), problemas de visão e outros. Além disso, Oliveira apud Bilhões (2001) descreve como principais infecções a que está sujeito o trabalhador da saúde, a Hepatite B e tuberculose pulmonar, H.I.V. Aponta ainda a AIDS e apesar de referir serem baixos os riscos de infecção profissional pelo H.I.V., recomenda as mesmas medidas preventivas indicadas contra a Hepatite B, ou seja, cuidados com todos os fluidos corporais de todos os doentes.

A fim de enfatizar observamos que o Ministério as saúde (BRASIL, 2012) utiliza o modelo de Schilling para a compreensão de doenças relacionadas com o trabalho.
• Grupo I: Trabalho como causa necessária – doenças legalmente reconhecidas, e pelas intoxicações profissionais agudas.
• Grupo II: Trabalho como fator contributivo, mas não necessário exemplificado por do
• Grupo III: Trabalho como fator provocador de distúrbio latente ou agravador de doença já estabelecida ou preexistente, como doenças alérgicas e de pele e respiratória.

Em seguida, é importante que todos os empregados fiquem atentos ao ambiente físico de suas instalações, a fim de manter-se o mais distante possível de riscos físicos, químicos, biológicos e ergonômicos.

Assim, do trabalho hospitalar, que é um ambiente complexo que apresentam elevado número de riscos ocupacionais para os seus profissionais, tanto da área de atendimento aos pacientes/clientes como do sofrimento psíquico. Alguns acidentes são decorrentes do contato com pacientes portadores de doenças infecciosas que implica no manuseio de materiais perfurantes. E outro fatores esta nas relações interpessoais de trabalho e produção, no trabalho em noturnos, nos baixos salários, na tensão emocional advinda do convívio com a dor, o sofrimento entre outros.

Uma pesquisa realizada com 53 trabalhadores de enfermagem, em uma unidade hospitalar federal do Rio de Janeiro mostra em relação aos fatores de riscos ocupacionais que 58,1% realizam só uma jornada de trabalho, enquanto 41,9% têm duas ou três jornadas. Em relação aos problemas de saúde ocupacional verificaram as seguintes doenças entre os trabalhadores de enfermagem como dores lombares – 43 trabalhadores apontam este item como problema de saúde, dos quais 43,4% o consideram provocado pelas condições ocupacionais e 32,1% informaram que essas dores foram agravadas pelas condições de trabalho; o item dores dos membros inferiores foi mencionado por 40 trabalhadores, entre os quais, 43,4% como provocado pelo trabalho e 26,4% agravado pela condição ocupacional. (MAURO, 2008).
Outra doença ocupacional presente do artigo e o estresse, aparecendo em 36 trabalhadores, dos quais 43,4% responderam que ele foi provocado pelas condições de trabalho e 22,6% afirmam ter sido ele agravado. Dos trabalhadores que participaram deste estudo, 29 convivem com a mudança de humor, dos quais 26,4% creditam ao trabalho esta alteração, enquanto 22,6% consideram que a atividade laboral apenas agrava a mudança de humor.(MAURO, 2008).

Para Pinho (2007), analisa a prevalência dos acidentes de trabalho de enfermagem no HUB, ocorrido de julho de 2002 a julho de 2003 verificando na pesquisa que os acidentes de trabalho envolveram a manipulação como objetos perfurocortantes em 62,85% dos casos. Dos profissionais acidentados expostos ao risco biológico, somente 51,11% realizaram exames de VDRL, hepatites B e C e vírus HIV. E nos meses de março e outubro, a pesquisa apresenta o maior percentual de notificações, com 17,14% em cada mês. No período matutino, aconteceram 52,85% dos acidentes, sendo 21,42% notificados na faixa de horário que variou entre 10h e 11h. O sexo feminino prevaleceu em 78,57% das notificações. A categoria profissional que mais sofreu acidentes foi a de enfermagem, em 32,85% dos casos, sendo as mãos as regiões do corpo mais acometidas. 70% dos acidentados relataram, na notificação, estarem usando as medidas de biossegurança. Considera-se para Walton apud Haddad (2011) para que a qualidade de vida no trabalho seja alcançada é necessário que o trabalhador tenha:
- compensação adequada e justa: Refere-se ao salário justo ou à adequação entre o trabalho e o pagamento nos seus diversos níveis relacionados entre si.
-condições de segurança e saúde no trabalho: os trabalhadores não devem ser expostos a condições físicas e psicológicas que sejam perigosas ou a horários excessivos de trabalho que sejam prejudiciais a saúde.
-oportunidade imediata para a utilização e desenvolvimento da capacidade humana: para que os trabalhadores possam usar e desenvolver suas habilidades e capacidades é necessário: autonomia no trabalho, utilização de múltiplas habilidades, informação e perspectiva de crescimento profissional, realização de tarefas completas e planejamento das atividades.
-oportunidade para crescimento contínuo e segurança: é importante que o trabalhador tenha a possibilidade de autodesenvolvimento, aquisição de novos conhecimentos e perspectivas de sua aplicação prática, oportunidades de promoções e segurança no emprego.
-integração social na organização: para haver um bom nível de integração social é necessário que o ambiente de trabalho seja sem preconceitos, de senso comunitário, fraca estratificação, existência de mobilidade ascendente e franqueza interpessoal.
-constitucionalismo na organização do trabalho: são as normas que estabelecem os direitos e deveres dos trabalhadores. Os aspectos mais significativos versam sobre a privacidade, a liberdade de expressão (o diálogo livre) e o tratamento justo em todos os assuntos.
-Trabalho e o espaço total da vida: o trabalho, muitas vezes, absorve parte da vida extra organização do empregado, afetando consideravelmente o seu tempo de dedicação à família, tempo de lazer e sua convivência comunitária.
- A relevância social da vida no trabalho: os trabalhadores, através de seus empenhos e comprometimentos, esperam que, socialmente, a instituição não deprecie o seu trabalho e consequentemente a sua profissão.

Logo, o ambiente de trabalho influi no comportamento das pessoas e, por conseguinte pode influenciar nas relações interpessoais e supostamente nos resultados do atendimento com o paciente. Além disso, é constituído de duas partes distintas: a física (instalações, móveis, decoração etc) e a social (as pessoas que o habitam). Não se podem exigir resultados de uma equipe se esta não tiver um mínimo de comodidade e de condições para realizar suas necessidades básicas. Mas se acredita que quanto melhor e mais bem atendidas estas necessidades tanto melhor será o desempenho de uma equipe. (PEPE, 2007)

Portanto, para Giomo apud Magalhaes et al. (2009) os estudos têm alertado, a cada dia, a necessidade de a enfermagem desenvolver uma consciência ético- política, para explicitar de forma correta as reais condições em que se dá seu trabalho desenvolvido, compromissando os responsáveis pela aprovação do quadro de pessoal de enfermagem da instituição quanto aos riscos a que estes estão expostos quando não são providos os recursos necessários para a prestação de uma assistência segura ao paciente.

3 MÉTODO

Trata-se de um estudo de revisão bibliográfica, desenvolvida mediante material já elaborado, principalmente artigos científicos. Para a realização deste estudo foi realizado um levantamento de pesquisas através dos bancos de dados disponíveis eletronicamente na Biblioteca Virtual em Saúde e foram utilizados texto e resumos de artigos para referencial teórico.

O período de estudo compreendeu os meses de março a junho de 2012.

Para seleção dos artigos utilizou-se como critérios de inclusão: doença ocupacional, acidente de trabalho saúde do trabalhador de enfermagem, artigos disponíveis em língua portuguesa. Como critérios de exclusão inutilizaram-se os artigos que não contemplavam aos itens expostos acima.

Os artigos foram acessados através de consulta em periódicos nacionais de revistas indexadas. Posteriormente, foi realizada a leitura dos resumos de cada artigo, para verificar se existiam ou não informações pertinentes ao tema proposto e de acordo com o objetivo do estudo. Na busca identificou-se 12 (doze) obras pertinentes ao estudo. Sendo encontrados 2.061 artigos relacionados com acidentes de trabalho, 560 com doença ocupacional e 635 estudos sobre saúde do trabalhador de enfermagem. Desses foram selecionados doze artigos que faziam relação com o tema proposto.

A coleta dos dados foi organizada através da construção de planilhas, onde foram registrados o objetivo, população alvo e os resultados de cada publicação. Os resultados foram apresentados e discutidos numa ordem cronológica crescente. Todas as autorias dos trabalhos foram citadas.

Foram realizados dois passos para analisar as informações encontradas. Na primeira etapa identificaram-se os dados como: localização dos artigos, ano e periódico de publicação, autoria, objetivo do estudo, metodologia, resultados principais. Posteriormente foi realizada uma análise dos artigos, cujos resultados foram resumidos por semelhança de conteúdo, respondendo ao objetivo proposto nesta pesquisa. 4 APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO DOS RESULTADOS

No período da pesquisa, foram encontrados muitos artigos na BVS (Biblioteca Virtual em Saúde), e para a seleção houve analise conforme o titulo “a saúde do profissional de enfermagem no ambiente hospitalar”. É importante frisar, que são poucos as publicações especifica para enfermeiros, então foram analisados os textos que também envolvia auxiliares de enfermagem e médicos, a fim de obter um conhecimento maior. Conforme o esperado, a grande maioria dos artigos têm como população-alvo enfermeiros no sexo feminino entre 20 a 35 anos de idade, foram selecionados onze artigos para esta revisão, que estão voltados para os problemas de doenças ocupacionais, acidentes de trabalho e saúde do trabalhador de enfermagem no ambiente hospitalar. Estão organizados em um quadro e distribuídos na seguinte forma de referencias, população, objetivos e principais resultados.
No quadro abaixo se observam algumas características dos doze estudos analisados.

Referências - População – Objetivos - Resultados principais
Montanholi et al. Enfermeiros
Descrever não só as características da população estudada como também principais fatores de risco para o estresse:
As causas do estresse nos enfermeiros são: enfrentar as crises (67%); sentir-se desvalorizado (63%); ter subordinados pouco competentes (58%) sentir-se só para tomar decisões (56%) e a remuneração (50%). Outra questão relevante é o relacionamento entre a própria equipe de enfermagem e há também o estresse decorrente da interação com a equipe multiprofissional. A dupla jornada de trabalho também é uma realidade vivenciada por 53,9% das trabalhadoras de enfermagem, provocando à sobrecarga de trabalho que pode propiciar o estresse.

Oliveira et al. Médicos, enfermeiros e dentista.
Analisar as representações sociais dos trabalhadores da saúde acerca dos riscos ocupacionais: O adoecimento está ligado à organização do trabalho, desempenho e as sobrecargas psíquicas, cognitivas e físicas. O estresse e a depressão podem estar relacionados diretamente com as sobrecargas excessivas de trabalho. E as condições inadequadas de trabalho no ambiente hospitalar, provocam agravos à saúde, que podem ser de natureza física e psicológica, gerando transtornos alimentares, de sono, de eliminação, fadiga, agravos nos sistemas corporais, diminuição do estado de alerta, estresse, desorganização no meio familiar e neuroses, fatos que, muitas vezes, levam a acidentes de trabalho e licença para tratamento de saúde.

Almeida et al. Profissionais da saúde
Analisar pesquisas referentes à temática "Saúde do Trabalhador de Saúde":
Foram identificados 48 artigos e verificamos que Revista Latino-Americana de Enfermagem e a Revista da Escola de Enfermagem da USP foram as que mais publicaram sobre o tema. Os autores foram, em sua maioria, enfermeiros (78,9%), doutores (50,8%) e docentes (63,1%). Os estudos abordaram aspectos relacionados à saúde mental dos trabalhadores (41,6%), acidentes de trabalho (14,6%), condições de trabalho (12,5%) e qualidade de vida (10,4%).

Costa et al. Trabalhadores de enfermagem
Analisar os acidentes de trabalho com substâncias químicas ocorridos com trabalhadores de enfermagem:
Os trabalhadores de enfermagem interagem com substâncias químicas em seu dia-a-dia de trabalho, sofrem o impacto dessas substâncias, e por outro lado, não notificam os acidentes às chefias. Outra questão e a ausência da rotulagem adequada dos produtos químicos com informações precisas sobre as substâncias químicas, às quais os trabalhadores estão expostos, também contribuem para que doenças ocupacionais e acidentes do trabalho. Moura et al. Trabalhadores de enfermagem.
Caracterizar os acidentes e os acidentados com materiais perfurocortantes:
Acidentes estão ocorrendo com maior frequência aos profissionais com pouco tempo de serviço, variando entre a admissão a 05 anos de serviço; porém profissionais com maior tempo de serviço acidentaram-se menos. Os locais que apresentaram maior risco estão concentrados nas diversas clínicas médicas, seguidos da clínica cirúrgica e a obstetrícia que também e significativo. As causas mais frequentes de ocorrência do acidente é o descarte do perfurocortante no local impróprio (21,6%), e durante o transporte do material (13,7%), tendo como objeto causador principal a agulha (46,8%) e o escalpe (34,5%).

Magagnini et al Equipe de enfermagem
Caracterizar os profissionais da equipe de enfermagem que sofreram acidentes com material biológico no período de 2001 a 2006 e verificar a ocorrência de soro conversão pelos vírus da hepatite B e C e HIV por meio de exames comprobatórios. Maior ocorrência de acidentes em 2003, 2005 e 2006, nas unidades de clínica médico-cirúrgica e pronto-socorro. O sexo feminino foi o predominante, mas, com relação aos acidentes proporcionalmente ao número total de trabalhadores na instituição, o masculino destacou-se. A lesão percutânea envolvendo o sangue predominou nos acidentes.

Fernanda Marques da Costa et al. Funcionários da enfermagem
Identificar causas do absenteísmo relacionado a doenças, justificado por atestado ou licença médica:
A causa do absenteísmo feminino deve a situação que elas são responsáveis pelos afazeres domésticos e cuidados aos filhos, essa dualidade de papéis da mulher repercute em seu cotidiano e durante o seu turno de trabalho, não conseguindo afastar-se dos problemas do lar. Também registrou que a maior frequência de afastamentos esta na faixa etária de 40 a 50 anos (86,4%); pois há uma maior probabilidade dos trabalhadores apresentarem morbidades. Outra ocorrência e que os trabalhadores casados apresentam maior índice de afastamentos devido as responsabilidades domésticas. Verifica-se que os trabalhadores que faltaram ao trabalho por motivo de doença, a maioria está lotada na Unidade de Tratamento Intensivo, 16,1%(23); seguida da Clinica Médica B, 12,6%(18) e de 11,9% (17) na Clinica Médica A. O motivo e que os trabalhadores estão mais expostos a transtornos de ordem física, química e psicológica, como no caso de unidades de tratamento intensivo, que são setores especializados, que atendem pacientes graves e de alta complexidade. Observa-se que a maior causa do absenteísmo relacionado a doenças dos trabalhadores foi constituída por doenças do sistema ósteo-muscular e conjuntivo. As doenças do aparelho respiratório, 14% (75) representam a segunda causa de afastamento entre as mulheres, seguidas das doenças do aparelho circulatório 8,8% (45). Entre os homens, também as doenças do aparelho respiratório 10,8% (6), aparecem como a segunda causa do absenteísmo relacionado a doenças, juntamente com os fatores que induziram a procura de serviço de saúde não especializado 10,8% (6).

Campos et al Enfermeiros
Estudar os padrões de sono e identificar os níveis de ansiedade:
Os níveis de ansiedade dos enfermeiros segundo o ciclo vigília-sono percebeu que os enfermeiros do turno matutino tiveram duração de sono noturno menor que os dos demais turnos, talvez por acabarem de dormir tarde, necessitando acordar cedo para o plantão.

Araujo et al Equipe de enfermagem
Avaliar a associação entre demanda psicológica e controle sobre o trabalho e a ocorrência de distúrbios psíquicos menores entre trabalhadoras de enfermagem:
Dos 522 trabalhadores estudados 502 era no sexo feminino. O duplo emprego foi uma realidade para 53,9% da população. Além desse, outro indicador que atestou demandas elevadas do trabalho em enfermagem foi à carga horária de trabalho semanal. As trabalhadoras relataram, em média, 45,7 (±19,5) horas semanais de trabalho profissional.

Ruiz et al Equipe de saúde
Descrever a ocorrência de acidentes de trabalho em um hospital geral de ensino, no período de 2000 a 2001:
Os resultados obtidos apontaram principalmente: 861 trabalhadores com registro de acidente de trabalho; 75,4% do sexo feminino; 40% casados; 39,8% com idade entre 31e 40 anos; 56,2% integrantes da equipe de enfermagem; 83,1% acidentados no setor de trabalho;40,4% tiveram acidentes com pérfuro-cortantes e a maioria não necessitou de afastamento. Os dados obtidos revelaram algumas limitações para uma análise mais acurada desta ocorrência, entre elas, CATs preenchidas de forma incompleta e registro todo manual das ocorrências notificadas, indicando a necessidade de elaboração de um programa específico para os registros de acidentes de trabalho, de forma a facilitar a avaliação e controle desta ocorrência, subsidiando intervenções e outras pesquisas neste contexto. Mininel et al Trabalhadores de enfermagem
Foi identificar o processo de trabalho, as cargas psíquicas e os desgastes gerados em trabalhadores de enfermagem:
Os processos de trabalho constituem-se no primeiro agravante para as cargas psíquicas sofridas pelos profissionais de enfermagem. A agressão psíquica nas relações com pacientes e demais membros da equipe de saúde é utilizada para manifestar reações de discriminação e humilhação. Em casos extremos, ocorre o desenvolvimento de quadros patológicos psiquiátricos (síndrome do pânico) ou mesmo doenças cardiovasculares, como hipertensão. O trabalho monótono e repetitivo foi citado principalmente pelos trabalhadores da central de material e esterilização que apresentam lesões que afetam braços, pescoço, coluna, joelhos, dentre outras. São enormes as doenças ocupacionais e acidentes de trabalhos gerados pelo ritmo acelerado de trabalho, não interação pessoal, pressão da equipe médica, frequentes dobras de plantão, trabalho repetitivo e salários injustos, o trabalho monótono e repetitivo e fatores como a falta de criatividade, autonomia, além da falta de defesas coletiva.

E interessante ressaltar um artigo que saem no padrão dos outros. O artigo de Mininel et al (2011) propõe fazer uma avaliação de cincos hospitais universitárias brasileiras Regiões Norte, Nordeste, Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil. Foi possível observar na Região Nordeste a enfermagem representa, aproximadamente, 44% do total de trabalhadores hospitalares. O menor percentual encontrado foi na Região Sudeste, onde 202 trabalhadores de enfermagem representam 25% do total de trabalhadores do hospital. A relação entre o número de leitos hospitalares e o número de trabalhadores de enfermagem segue a mesma tendência, sendo mais adequado na Região Nordeste e menos adequada na Região Sudeste. Contudo, os dados revelam que a força de trabalho de enfermagem no Brasil está heterogeneamente distribuída entre as diferentes Regiões, estando 70%, dessa forma, concentrada nas Regiões Sul e Sudeste do Brasil.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Nos artigos analisados destacou-se a construção social dos atributos a feminilidade, com expectativas culturais demarcadas em relação a cada um dos gêneros. Primeiramente e importante comentar sobre o conhecimento dos EPI (Equipamentos de proteção individual). Em muitos artigos e comentado sobre o conhecimento de uso de EPI, mas a maioria não usa ou não usa corretamente.

Além disso, verificamos que alguns artigos fazem referencia a notificação de acidentes, ou seja, os trabalhadores deixam de registrar o acidente para não trabalhar a continuidade do serviço. E não percebe que esse fato pode muitas vezes prejudica-lo mais tarde como também os futuros trabalhadores. Esse fato fica claro no estudo realizado por Costa (2004) que o trabalhador em sua dinâmica de trabalho, em ritmo acelerado não se dá conta da necessidade de notificar o acidente ou não dispõe de tempo hábil para fazê-lo, uma vez que ao se afastar da unidade ao retornar deverá dar continuidade, pois dificilmente outro trabalhador poderá substituí-lo.

Observamos também que a maioria da população alvo e toda a equipe de saúde, ou seja, incluem médicos, enfermeiros e técnicas de enfermagem. São poucos os artigos que usam somente a classe de enfermeiros. Mas, todos estão ligados com a mesma função, que é cuidar do ser humano, sabendo lidar com a dor, morte e o sofrimento dos pacientes.
Como presente estudo faz referencia ao hospital, em algumas pesquisas foi analisado conforme o setor de trabalho, como exemplo, os trabalhadores que faltaram ao trabalho por motivo de doença, a maioria está lotada na Unidade de Tratamento Intensivo, em seguida da Clinica Médica B e por ultimo na Clinica Médica A.

Essas questões são importantes para que a pesquisa na enfermagem no ambiente hospitalar cumpra a sua finalidade de fornecer a base de conhecimentos, os quais poderão promover a efetividade dos cuidados. Consideramos fundamental que essa temática seja mais explorada e estudada, por se constituir na vivência diária dos enfermeiros em qualquer segmento de atuação deste profissional e por ser uma ferramenta essencial no trabalho. 6. REFERÊNCIAS

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Graziele Justi
formada Enfermagem Enfase em Saúde Publica-UDESC Pós graduação em saúde mental-UNINGA Pós graduação em enfermagem trabalho-CENSUPEG Curso de obstetricia-Portal educação
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