Resultado dos Exames Citopatológico

Resultado dos Exames Citopatológico
ENFERMAGEM

Após a análise da adequabilidade do material (lâmina) ocorre a análise citopatológica. Esta consiste, basicamente, em uma análise microscópica da lâmina, por meio da qual é possível identificar se a amostra está dentro dos limites de normalidade, ou se possui alterações benignas reativas ou reparativas, ou células atípicas de significado indeterminado, ou efeito citopatoloico compatível com Papilomavírus humano (HPV), ou lesão intra-epitelial de baixo grau, ou lesão intraepitelial de alto grau, ou células endometriais. 

De acordo com cada resultado foram adotadas condutas para seguimento e tratamento das pacientes. Essas condutas foram desenvolvidas por meio da parceria entre a Sociedade Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior, o Instituto Nacional de câncer (INCA) e o Ministério da Saúde (CEARÁ, 2002). A seguir, são descritos aspectos dos resultados e as respectivas condutas.

Amostra dentro dos limites de normalidade
Este diagnóstico revela que a amostra apresenta-se completamente normal.

Conduta: orientar a paciente a repetir o exame em 1 ano. Após dois resultados normais consecutivos, o controle deverá ser realizado a cada 3 anos (BRASIL, 2004; 2006).

Amostra com alterações benignas reativas ou reparativas

Por não apresentarem alterações neoplásicas, também são considerados normais. Estão incluídos neste tipo de amostra os resultados com inflamação, por exemplo.

Conduta: no caso de haver sido identificada alguma infecção, tratar de acordo com a etiologia (ver detalhes no módulo anterior).

Vale ressaltar que no sistema Bethesda 2001 essa categoria foi excluída. No Brasil, todavia, esta categoria foi mantida porque os fatores que motivaram sua exclusão em outros países não correspondem à nossa realidade (BRASIL, 2006).

Amostra com células atípicas de significado indeterminado: Em células escamosas (ascus) e glandulares (asgus)

Neste tipo de resultado, não há evidência de alterações neoplásicas, mas há alterações citológicas importantes que merecem investigação mais detalhada (CEARÁ, 2002).

Conduta: como este diagnóstico exige investigação e acompanhamento mais detalhados, recomenda-se o seguinte (CEARÁ, 2002; BRASIL, 2004):

- Se existirem processos infecciosos, tratar de acordo com a etiologia e realizar nova coleta citológica após seis meses.

- Se após seis meses o segundo exame acusar “dentro dos limites de normalidade” ou “alterações benignas reativas ou reparativas”, colher nova citologia em seis meses e mediante resultado normal, inserir a paciente em controles de rotina.

- No caso de o exame, em algumas das citologias de repetição, apresentar diagnóstico de “atipia celular” seja em células escamosas, glandulares ou de origem indefinida, ou ainda lesões de baixo ou alto grau, ASCUS ou ASGUS, encaminhar a paciente para colposcopia. 

Para pacientes que se encontram na menopausa, um ginecologista deverá prescrever um hormonal oral por 7 dias. Após isso, repetir o exame. Atentar para a recomendação de que o novo exame deverá ocorrer, no máximo, após 7 dias do término do hormonal oral.

Condutas para pacientes na menopausa (BRASIL, 2004):

- Na ocorrência de diagnóstico de “atipia celular” no resultado da citologia de repetição, seja em células escamosas, glandulares ou de origem indefinida, Lesão de Alto Grau ou de Baixo Grau, encaminhar a paciente para colposcopia.

- Caso o resultado da citologia de repetição seja negativo, deve-se repetir o exame após seis meses e, mediante resultado normal, inserir a paciente em controles de rotina.

Efeito citopático compatível com papilomavírus humano (HPV)

Como discutido em módulos anteriores, o HPV é um importante fator para desenvolvimento do câncer de colo uterino, merecendo, portanto, importância no seguimento e tratamento.

Conduta: as condutas consideram a capacidade imunológica de combater o vírus e impedir a alteração de células em tempo hábil, evitando a realização de procedimentos invasivos, conforme descritas a seguir (CEARÁ, 2002):

- Repetir o exame após seis meses.

- Se o exame de repetição for negativo, realizar novo exame 1 ano depois.

- Caso o diagnóstico de HPV persista no exame de repetição, encaminhar a paciente para colposcopia.

Lesão intra-epitelial de baixo grau (NIC I)

Assim como os casos diagnosticados como ASGUS, ASCUS e HPV, o resultado de NIC I não deve ser encaminhado para colposcopia. Essa conduta é baseada nos resultados de pesquisas recentes, que mostram que 70 a 90% das lesões NIC I regridem em até seis meses, não havendo, portanto, necessidade de submeter a paciente a procedimentos agressivos (CEARÁ, 2002). É necessário, todavia, atenção especial, pois alguns casos de NIC I progridem para lesões de alto grau.

Conduta: as condutas consideram o alto índice de regressão das lesões em até seis meses, mas orientam providências caso a lesão persista, conforme descrito a seguir (CEARÁ, 2002; BRASIL, 2004):

- Tratar processos infecciosos associados, caso existam, de acordo com o módulo anterior (sobre DST).

- Repetir o exame após seis meses.

- Se o novo resultado for “dentro dos limites de normalidade” ou “alterações benignas reativas ou reparativas, colher nova citologia após seis meses e, mediante mais um resultado normal, inserir a paciente em controles de rotina”.

- Caso o resultado se confirme, ou ocorra apresentação de diagnóstico de “atipia celular” seja em células escamosas, glandulares ou de origem indefinida ou Lesão de Alto Grau encaminhar a paciente para colposcopia.

Lesão intraepitelial de alto grau (NIC II E NIC III)

Ao se deparar com um resultado de lesão intraepitelial de alto grau, o profissional de saúde da unidade primária de saúde deverá compreender que não dispõe de aparatos para tratar a paciente na unidade nem de encaminhá-la para tratamento com o médico na unidade. Desse modo, a única tomada de decisão consiste em encaminhar a paciente para acolposcopia com exérese da lesão pela cirurgia de alta frequência, para estudo patológico (CEARÁ, 2002).

Nos casos em que for diagnosticado Carcinoma Escamoso Invasivo e Adenocarcinoma In Situ ou Invasivo/outras neoplasias malignas, após realizar colposcopia e exérese a paciente deverá ser encaminhada e tratada em uma unidade terciária de saúde.

Presença de células endometriais

Normalmente, células endometriais não devem apresentar-se no material coletado durante o exame citopatológico. Quando isso ocorre em pacientes na pós-menopausa, acima de 40 anos de idade ou fora do período menstrual, este resultado pode significar tumor endometrial, principalmente quando houver sangramento concomitante (BRASIL, 2004).

Conduta: realizar investigação específica do endométrio por meio de outros exames, tais como ultrassonografia, curetagem e histeroscopia (BRASIL, 2002).

A seguir apresentamos um modelo de protocolo para consulta de enfermagem no retorno da paciente (entrega do resultado do laudo laboratorial), sumarizando todo o conteúdo sobre seguimento diante do resultado do exame citopatológico, bem como dois quadros com o diagnóstico descritivo dos achados e das condutas a serem adotadas.

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