Processamento Auditivo Central - Conceitos e intervenções educacionais

Processamento Auditivo Central - Conceitos e intervenções educacionais
FONOAUDIOLOGIA
Serviço Fonoaudiológico
de Orientação Educacional

Orientações e sugestões para processos de
aprendizagem e avaliativos diferenciados.

O que é desordem do Processamento Auditivo Central- PAC?

O PAC alterado ou a desordem do Processamento Auditivo Central não significa falta de audição ou problemas nela e sim uma determinada dificuldade em processar e interpretar o estímulo auditivo que foi detectado pelo ouvido. Portanto quando se lê um exame que nele vem escrito inabilidade auditiva de grau leve, moderado ou severo, não significa falta de audição e sim DPAC e que normalmente vem junto com um Déficit de Atenção.

Alguns sinais e os sintomas:

O Déficit no Processamento Auditivo Central quando detectado precocemente, permite a adequada orientação aos pais e facilitam a conduta de professores no processo de aprendizado. Deste modo, reforça – se a participação do fonoaudiólogo junto a equipe profissional que atua nas escolas.

Os sintomas de DPA podem variar e ter diferentes formas de manifestação. Confira se você ou alguém que conheça apresenta alguns desses Sinais e Sintomas:

- Parece não ouvir bem?
- É muito distraída ou desatenta?
- Demora em escutar e/ ou entender quando chamada sua atenção?
- Fala muito “Hã?”, “O que?”, ou “Não entendi!”?
- Possui dificuldade para lembrar o que foi dito ou parece ter problemas de memória?
- Tem fala diferente de outras crianças da mesma idade?
- Tem dificuldades para ler ou escrever ou outras dificuldades escolares?
- Tem dificuldade para entender o que está sendo falado quando em ambientes ruidosos ou em grupos ?
- Não consegue acompanhar uma conversa com muitas pessoas falando ao mesmo tempo ?
- Há cansaço ou atenção curta para sons em geral?
- Deixa o volume da televisão muito alto?
- Apresenta dificuldade de localizar o som?
- Apresenta dificuldades em seguir orientações?
- Tem dificuldade em contar um fato ou história?
- Tem dificuldades para transmitir um recado
- Possui dificuldade em seguir uma sequência de tarefas que lhe foi falada?
- Tem dificuldades em entender piadas ou duplo sentido?
- Os problemas de matemática são difíceis de interpretar?

Estes, assim como outros comportamentos, podem ser sinais de uma dificuldade no processamento auditivo da informação. Cabe retomar que muitos dos comportamentos notados acima podem também aparecer em outras condições tais como dificuldades de aprendizagem, Transtorno do déficit de atenção e Hiperatividade (TDAH), níveis de depressão, dentre outros.
DPAC e Distúrbios de Aprendizagem:

Crianças com distúrbios de aprendizagem tem dificuldade em vários aspectos do processamento auditivo linguístico e apresentam falhas cognitivas. É possível que comprometimentos linguísticos ou cognitivos possam ser resultantes de problemas perceptuais.

O aprendizado da leitura e da escrita está vinculado a um conjunto de fatores, sendo que os principais são: domínio da linguagem e a capacidade de simbolização. A análise das manifestações de um distúrbio deve-se as condições internas (integridade anátoma – funcional) e externas (estímulos do meio) necessárias para o desenvolvimento deste aprendizado.

O processamento auditivo refere-se à percepção auditiva percebida pelo sentido auditivo. É desenvolvido nos primeiros anos de vida, portanto a partir da experiência com o mundo sonoro, desse modo é que "aprendemos a ouvir".

Os sub-processos, segundo Boothroyd (1986) do processamento auditivo são:

1. Atenção seletiva - Capacidade de monitorar um determinado estímulo auditivo, mesmo que a atenção primária esteja voltada para outra atividade. Por exemplo, responder a uma pergunta quando está andando de bicicleta. Reagir a um determinado estímulo auditivo significativo e ignorar o ruído de fundo, por exemplo, conversar com um grupo de pessoas em um restaurante.

2. Detecção do som - Identificar a presença do som. Junto à detecção do som ocorre a sensação sonora, que é própria de cada indivíduo, é a partir dessa sensação que podemos dizer, por exemplo, se um som é alto ou baixo.

3. Discriminação - É o processo de detectar diferenças entre os padrões de estímulos sonoros, por exemplo, detectar diferenças mínimas de frequência (agudo "fininho" ou grave "grosso), intensidade (alto ou baixo), tempo e duração (longo ou curto) de um som.

4. Localização - Significa saber o local de origem do som. Requisitos: detectar o som em ambas orelhas e perceber diferenças de intensidade.

5. Reconhecimento - É a identificação correta de algum som, considerado um comportamento prendido. Por exemplo, reconhecer a voz da própria mãe, som de um avião, de um ônibus, etc.

6. Compreensão - É compreender o significado da informação auditiva, por exemplo, dar uma ordem para a criança e ela corresponder corretamente. Por exemplo, mostre o pé, a criança mostra o pé.

7. Memória - Processo que permite arquivar as informações. O desenvolvimento desses sub-processos, chamados de habilidades auditivas ocorre nos primeiros anos de vida que dependem da interação destas habilidades inatas e das experiências da criança no seu ambiente acústico (sonoro). Manifestações comportamentais da pessoa com disfunção no processamento auditivo central

Como saber se a criança (ou o adulto) tem disfunção no PAC:

É importante e necessário fazer uma avaliação da audição completa, com um fonoaudiólogo, incluindo testes especiais para avaliar a audição central.

- Crianças que não acompanham uma conversa com muitas pessoas falando ao mesmo tempo;
- Não compreendem facilmente piadas ou duplo sentido;
- Não atendem prontamente quando chamadas ou precisam ser chamadas várias vezes;
- Têm dificuldade para falar determinados fonemas ou para discriminar sons da fala;
- Se atrapalham ao contar uma história ou dar um recado;
- Não relacionam a informação auditiva com a visual;
- Histórias de infecções no ouvido, perda auditiva nos primeiros anos de vida;
- Dificuldades escolares (matemática e português);
- Dificuldades para aprender a ler e a escrever;
- Letra "feia";
- Problemas de memória, geralmente memória em sequência;
- Muito agitadas ou muito quietas;
- Dificuldades de relacionamento com crianças da mesma faixa etária;
- Problemas de produção de fala envolvendo os sons / r / e / l / principalmente;
- Problema de linguagem envolvendo estrutura gramatical ;
- Dificuldade em compreender em ambiente ruidoso;
- Inversões de letras e problemas na orientação direita;
- Diagrafias (Dificuldade do processo de reprodução da escrita por traços contínuos);
- Dificuldade em compreender o que lê;
- Distraídos;
- Tendência ao isolamento;
- Inferior em leitura, gramática, ortografia, matemática;
- Impressão de que às vezes ouve bem e às vezes não;
- Atenção ao som prejudicada;
- Dificuldade em ouvir em ambiente ruidoso;

Estratégias para uma comunicação melhorada em sala de aula / casa - Como pais e professores podem ajudar?

- Melhorar a acústica da sala de aula em nível de ruído aumentando assim o silencia e a clareza da fala do professor;

- A posição da criança em sala de aula deve ser sempre todos os dias do lado do professor; - O professor deve articular bem as palavras e aumentar a intensidade da voz sem, entretanto, gritar;

- Na explicação de uma matéria falar com frases curtas, sempre devagar e com palavras de fácil entendimento;

- Se possível dar como apoio ao aluno uma associação visual para aquela determinada explicação;

- Perguntas relativas a matéria devem ser sempre feitas periodicamente, avaliando a sua compreensão;

- Pedir para repetir o comando para que haja realmente a compreensão;

- Se possível ter em alguns momentos uma ajuda individual;

- Realizar as provas de todas as matérias em uma outra sala; (se for necessário, por conta da presença de Déficit de Atenção)

- Dependendo do caso de alteração, deve-se realizar as avaliações da aluna/paciente de uma outra forma podendo ser oralmente ou mista.

- Uso de recurso visual simultâneo a mensagem auditiva pode ajudar na memorização;

- Lista do vocabulário chave: escrever na lousa palavras-chave do novo material e as instruções (a criança com Déficit no Processamento Auditivo Central necessita de anotações organizadas e lembretes);

- O vocabulário e a mensagem devem ser controlados em termos de complexidade e extensão;

- Monitorar a compreensão e o progresso da criança sempre pedindo para que ele -repita o que lhe foi pedido ou proposto, ou fazendo perguntas relativas à matéria estudada, assim é possível avaliar sua compreensão;

- Preparação: preparar a criança anteriormente com novos conceitos e vocabulários que serão utilizados em sala de aula;

- Métodos para prender a atenção da criança;

- Ajuda individual;

- Uso de instruções curtas;

- Assistência quanto à memória, fala e linguagem valorizando as pistas de linguagem e os aspectos cognitivos; - Melhorar a acústica da sala de aula em nível de ruído aumentando a clareza da fala.

- A posição da criança em sala de aula: evitar sala com divisórias não acústicas (tipo eucatex); sentar a criança longe do corredor; do ruído da rua; e não mais do que 3 metros do professor. Preferencialmente na frente do professor.

- Optar por local de estudos sem distrações auditivas e visuais e fazer desses estudos uma frequência, uma rotina, ou seja, estudo diariamente.

Debora Dahan
Fonoaudiloga Débora Dahan, especialista em Linguagem e Educação Especial, trabalhando na parte clnica ha 13 anos e sou docente na pratica da Analise Computadorizada da Voz.
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