Inclusão e integração de pessoas com síndrome de down

Inclusão e integração de pessoas com síndrome de down
PEDAGOGIA
Segundo Mantoan: “A integração traz consigo a ideia de que a pessoa com deficiência deve modificar-se segundo os padrões vigentes na sociedade, para que possa fazer parte dela de maneira produtiva e, consequentemente ser aceita. Já a inclusão traz o conceito de que é preciso haver modificações na sociedade para que esta seja capaz de receber todos os segmentos que dela foram excluídos, entrando assim em um processo de constante dinamismo político social.” (1997, p.235)

A inclusão é uma opção que não é incompatível com a integração, mas é um movimento que vem questionar políticas, organização das estruturas escolares regulares e especiais, sendo a meta principal não deixar ninguém no exterior da escola regular. A inclusão tem um caráter de reunir alunos com e sem dificuldades, funcionários, professores, pais, diretores, enfim todas as pessoas envolvidas com a educação. Sua metáfora é o caleidoscópio:
“O caleidoscópio precisa de todos os pedaços que o compõem. Quando se retira pedaços dele, o desenho se torna menos complexo, menos rico. As crianças se desenvolvem, aprendem e evoluem melhor em um ambiente rico e variado" (Forest et Lusthaus, 1997, p.6 apud Mantoan, 1998).

Esta realidade caótica evidencia um confronto de tendências opostas entre os adeptos da educação inclusiva e os defensores da educação especial. Por outro lado, constatamos uma inegável mudança de postura, de concepções e atitudes por parte de educadores, pesquisadores, de agentes sociais, formadores de opinião e do público em geral.

Estas mudanças se traduzem na incorporação das diferenças como atributos naturais da humanidade, no reconhecimento e na afirmação de direitos, na abertura para inovações no campo teórico-prático e na assimilação de valores, princípios e metas a serem alcançadas.

Trata-se, portanto, de propor ações e medidas que vise assegurar os direitos conquistados, a melhoria da qualidade da educação, o investimento em uma ampla formação dos educadores, a remoção de barreiras físicas e atitudinais, a previsão e provisão de recursos materiais e humanos entre outras possibilidades. Nesta perspectiva se potencializa um movimento de transformação da realidade para se conseguir reverter o percurso de exclusão de crianças, jovens e adultos com ou sem deficiência no sistema educacional.

Assim como o pensamento complexo é essencial para que se produzam novidades e conhecimentos de sustentação e de defesa de uma escola para todos, os estudos culturais contemporâneos (Silva, Hall) nos apoiam na discussão dos processos inclusivos escolares em que emergem os conceitos de identidade e diferença, na caracterização do alunado. Temos igualmente de reconhecer as diferentes culturas, a pluralidade das manifestações intelectuais, sociais, afetivas, enfim, precisamos construir uma nova ética escolar, que advém de consciências ao mesmo tempo individuais, sociais e mais ainda, planetárias.

No desejo da homogeneidade, que muito tem a ver com a democracia de massas, destruíram-se muitas diferenças que nós hoje consideramos valiosas, e importantes. Ao referirmos, hoje, a uma cultura global e globalização, parece contraditória a luta de grupos minoritários por uma política identitária, pelo reconhecimento de suas raízes, como fazem os surdos, os deficientes, os hispânicos, os negros, as mulheres, os homossexuais. Há, pois um sentimento de busca das raízes e de afirmação das diferenças. Com isso se contesta hoje a modernidade nessa sua aversão pela diferença.

A deficiência foi inicialmente considerada um fenômeno metafísico, determinado pela possessão demoníaca, ou pela escola divina da pessoa para purgação dos pecados dos seus semelhantes. Séculos da Inquisição Católica e posteriormente da rigidez moral e ética, da reforma protestante, contribuíram para que as pessoas com deficiências fossem tratadas como a personificação do mal e, portanto, passíveis de castigos, torturas e mesmo de morte.
À medida que conhecimentos na área de medicina foram construídos e acumulados na história da humanidade, a deficiência passou a ser vista como doença, de natureza incurável, gradação de maior amplitude da doença mental.

Tais ideias determinaram a caracterização das primeiras práticas sociais formais de atenção à pessoa com deficiências, quais sejam a de segregá-las em instituições, fosse para cuidado e proteção, fosse para tratamento médico.

No Brasil, as primeiras informações sobre a atenção às pessoas com deficiências remontam à época do Império. Seguindo o ideário e o modelo ainda vigente na Europa de institucionalização, foram criadas as primeiras instituições totais. Para a educação de pessoas cegas e surdas.

O intenso movimento mundial de defesa dos direitos das minorias, que caracterizou a década de 60, associado a críticas contra a institucionalização de pessoas com doença mental e de pessoas com deficiência, determinou novos rumos às relações das sociedades com esses seguimentos populacionais.

Começaram a ser implantado o serviço de reabilitação profissional, especialmente, embora não exclusivamente, voltados para as pessoas com deficiência, visando prepará-las para a integração, ou a reintegração na vida da comunidade.

Nos anos 60 e 70, grande parte dos países, tendo como horizonte a Declaração Universal dos Direitos Humanos, passou a buscar um novo modelo, no trato da deficiência a proposição do princípio da normalização contribuiu com a ideia de que as pessoas diferentes podiam ser normalizadas. Este modelo caracterizou-se, pela desinstitucionalização dessas pessoas e pela oferta de serviços de avaliação e reabilitação em instituições – embora ainda segregadoras.

Da década de 80 em diante, o mundo volta a experimentar novas transformações. Avanços na medicina, o desenvolvimento de novos conhecimentos na área de educação e principalmente a criação da via eletrônica com meio de comunicação em tempo real com qualquer parte do mundo vieram determinar novas transformações sociais. Por um lado, maior sofisticação técnico-científica permitia a manutenção da vida e o maior desenvolvimento de pessoas que em épocas anteriores, não podiam sobreviver. Por outro lado, a quebra da barreira geográfica, na comunicação e no intercâmbio de ideias e de transações, plantava as sementes da (aldeia global), que rapidamente foram germinando e definindo novos rumos nas relações entre países e sociedades diferentes.

Na década de 90, ainda à luz da defesa dos direitos humanos, pôde-se constatar que a diversidade enriquece e humaniza a sociedade, quando reconhecida, respeitada e atendida em suas peculiaridades.

A Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas produziu vários documentos norteadores para o desenvolvimento de políticas públicas dos seus países membros. O Brasil, enquanto país membro da ONU e signatário desses documentos reconhece seus conteúdos e os têm respeitado, na elaboração de algumas políticas internas que agora descreveremos.

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