Mecanismos de Invasão e Metástase

Mecanismos de Invasão e Metástase
ODONTOLOGIA
Uma das características mais importantes das neoplasias malignas é sua capacidade de invasão. Esta característica depende de uma série de interações entre a célula tumoral e os tecidos do hospedeiro.

Dentre os muitos aspectos ainda obscuros da carcinogênese podemos destacar os fatores responsáveis pela perda da estabilidade em um determinado tecido precursor de neoplasia, com o consequente aumento da atividade proliferativa e carcinogênica. Como exemplo, podemos citar os adenomas colorretais, os quais podem apresentar uma súbita mudança de seu comportamento biológico, após longos períodos de inércia, e dar início a um rápido crescimento neoplásico.

Diversos estudos têm demonstrado que este crescimento está relacionado a um estímulo tecidual para a neoformação de capilares e vasos sanguíneos, os quais irão promover as condições locais necessárias para o crescimento do tecido neoplásico. Este estágio do desenvolvimento tumoral, denominado como angiogênese, é também mediado pela expressão gênica de proteínas específicas cuja ação refere-se ao estímulo para a produção de tecido vascular.

A concentração de proteínas específicas, como os fatores de crescimento fibroblástico e os fatores de crescimento vascular endotelial, também tem sido relacionado ao crescimento e prognóstico tumoral.

Os crescimentos secundários podem se desenvolver de duas maneiras:

a) por invasão: as células neoplásicas penetram os tecidos vizinhos, estas mantendo continuidade anatômica com a massa neoplásica de origem. Fatores como proliferação celular, movimento amebóide das células, pouca adesividade etc., contribuem para esse tipo de crescimento. Para haver invasão, as células neoplásicas devem se fixar à matriz intersticial, para terem uma base concreta para seus movimentos de migração, e devem ter pouca adesividade entre si. As vias de disseminação do crescimento por invasão estão baseadas na resistência dos tecidos. Os planos de menor resistência tecidual, como tecidos moles ou frouxos, constituem uma dessas vias; outras seriam as vias canaliculares vasculares, com infiltração neoplásica em vasos linfáticos, capilares e vênulas e cavidades de órgãos. As células tumorais, atingindo a circulação pelos vasos sanguíneos ou linfáticos, podem originar as metástases.

b) por metástase: constitui um crescimento à distância, sem continuidade anatômica com a massa neoplásica de origem. Para tal, é necessário que haja invasão e desgarro das células neoplásicas, circulação destas (embolia) e implantação em um novo local que contenha condições de proliferação celular. A dificuldade de estabelecimento da metástase se resume nesta última condição uma vez que as condições de implante são muito difíceis. As vias de disseminação das metástases são principalmente a rede linfática (devido à presença marcante em tecidos conjuntivos e sua estrutura sensível). A via hematogênica também pode ser responsável por este tipo de crescimento neoplásico devido à permeação de células em capilares e vênulas. Os carcinomas, em geral, se disseminam por via linfática; já os sarcomas por via hematogênica. Outras vias seriam a linfo-hematogênica, a canalicular (de ductos envolvidos por epitélio) e a transcelômica (passagem de células neoplásicas através das cavidades serosas atingindo um local distante do primário).
Os órgãos mais afetados por metástases são o pulmão, o fígado, os rins, o cérebro e os ossos. Algumas teorias tentam explicar essa predileção; uma primeira teoria aborda a fisiologia tecidual desses órgãos, a qual seria propicia para a implantação das células neoplásicas; uma segunda teoria aborda a arquitetura vascular do órgão e a fisiologia de circulação, propiciando o contato das células neoplásicas com esses órgãos.

É importante acrescentar que uma célula que atinja a corrente sanguínea não significa que haverá metástase. Essa célula pode ou ser destruída por mecanismos de defesa ou formar um êmbolo e um trombo, vindo a morrer mais tardiamente. Quando penetra no interstício, a massa neoplásica pode se instalar fragilmente e iniciar sua multiplicação (formando-se daí a metástase), ou cair novamente na corrente sanguínea, continuando seu caminho.

Uma vez na luz do vaso, deverão escapar dos múltiplos sistemas de defesa, tais como anticorpos, complemento, macrófagos, linfócitos. células NK etc. As células tumorais, sendo pouco deformáveis, devem sobreviver aos inúmeros traumatismos decorrentes da circulação. Carregadas pela corrente, vão acabar ocluindo, como êmbolos, pequenos vasos de órgãos a jus ante do ponto de penetração. Neste novo local deverão ser capazes de aderir ao endotélio (adesinas), lesar a membrana basal e, ainda no interstício, resistir à agressão de macrófagos e outras células locais. Deverão ainda se multiplicar e estimular a angiogênese para poder crescer.

Uma das principais características de uma neoplasia maligna epitelial é sua capacidade de invadir os planos profundos, podendo assim atingir as vias que permitem sua disseminação à distância, como os vasos sanguíneos ou linfáticos. Sabe-se hoje que esta invasão é resultado de uma complexa sequência de eventos que envolvem alterações de aderências célula-célula e célula-membrana basal. Após esta mobilização, teremos então um processo ativo de dissolução da membrana basal, o qual permitirá o acesso do tecido neoplásico aos planos subjacentes, caracterizando assim a invasão tecidual maligna.

Cada etapa deste processo de invasão é mediada pela ação de diversas proteínas com funções distintas, como elementos de membrana para aderência ou para a lise do colágeno.

Uma vez ocorrida à aderência entre a célula metastática e o endotélio vascular, teremos novamente a continuidade do processo de motilidade e rompimento da membrana basal. Para isto, seguem-se as mesmas etapas de ativação de um complexo de atividades moleculares, o qual irá evoluir para a penetração destas células neoplásicas no parênquima do tecido hospedeiro.

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