Turismo e Hotelaria: Compreensões em Prol da Recepção Hoteleira

Turismo e Hotelaria: Compreensões em Prol da Recepção Hoteleira
TURISMO-E-HOTELARIA
Fundamentos Históricos Do Turismo
O turismo é considerado atualmente um fenômeno social complexo e diversificado, sendo discutido constantemente por estudiosos em prol de se obter maiores fundamentos sobre seu contexto. Analisar o turismo significa esboçar um minucioso esquema de datas que servem de marcos para a evolução do turismo em âmbito mundial.

Com um potencial de expansão grandioso, o turismo é compreendido como um propulsor de economias, um elemento integrador de comunidades e um potencial gerador de riquezas e divisas nos locais onde estiver introduzido.

O processo de expansão e crescimento do turismo decorreu em função do aumento da riqueza e população no século XVIII, tendo sido estimulado por elementos favoráveis à demanda, como o tempo disponível, o lazer, o poder monetário e o interesse por realizar viagens. Alguns autores analisam a origem e evolução do turismo em quatro estágios, estes considerados essenciais por apresentarem as transformações ocorridas no mundo que beneficiaram o crescimento gradual do turismo.

Em um primeiro momento, o turismo é visualizado sob o aspecto de seus primórdios, ou seja, no período que compreende da era medieval ao início do século XVII, a partir do pressuposto de que os primeiros sinais de crescimento industrial passaram a influenciar os modos de vida da população.

Deste modo:
O aumento gradual da riqueza, a extensão das classes de comerciantes e profissionais, os efeitos da Reforma e a secularização da educação estimulou o interesse por outros países e a aceitação da viagem em si como um elemento educacional. (LICKORISH e JENKIS, 2000, p.21)

No entanto, percebe-se que foram os povos romanos que exerceram um papel fundamental em função das viagens, pois se acredita que durante o Império Romano pôde ser notado o aparecimento das primeiras viagens de lazer. O que se entende é que nesta época, os nobres romanos viajavam com o intuito de visitar grandes templos, o que em consequência estimulou a referida sociedade a desenvolver a capacidade de se deslocar a longas distâncias.

O meio de transporte utilizado durante a época eram as cavalarias, que eram trocadas periodicamente a fim de que as distâncias fossem alcançadas em um tempo menor, e, a partir destas permutações de animais é que surgem as primeiras hospedarias que se tem notícia em estudos realizados no transcorrer do tempo. Os romanos também realizavam suas viagens com destinos às faixas litorâneas para banhos medicinais. Salienta-se que os primeiros SPAS advêm deste período.

Ao mesmo tempo, percebe-se que há séculos, as pessoas vêm associando os benefícios deste fator ao seu bem-estar físico, mental e espiritual. Visto que desde os mesopotâmios, egípcios e minoanos, aos gregos, europeus, os já citados romanos, otomanos e japoneses, foram várias as civilizações que se valeram desta sabedoria, realizando a prática milenar do spa.

Paralelamente, em uma época semelhante ao Império Romano, na área localizada na Ásia Menor, no governo de Alexandre, O Grande, verifica-se a realização de eventos relevantes, estes que motivavam o fluxo de visitantes de distintas partes do mundo, que se deslocavam para conferir atrações de mágicos, artistas, animais adestrados e acrobatas. Observa-se que o referido período consiste no primeiro registro da efetivação de turismo de eventos.

Neste contexto vale ressaltar que os eventos artísticos advêm da Era Medieval quando em todas as cidades importantes, aconteciam jogos espetaculares e sangrentos, combates de gladiadores, corridas de carros e lutas com animais ferozes.

No mesmo contexto pode-se visualizar as comemorações da época, estas que evidenciavam a necessidade de vivencia da cultura em toda sua dimensão como criação humana.

Entretanto, as rodovias romanas proporcionaram uma rede eficaz para as viagens e a comunicação, porém com o término do Império Romano houve uma estagnação nos avanços do sistema de transporte, com um progresso relativamente baixo ate o século XVIII.

A Era Medieval, com sua reforma e transformações estimulou a criação de movimentos educacionais, onde jovens de boas famílias que pretendiam seguir carreiras de administradores, advogados ou soldados eram estimulados a viajarem para o exterior, onde se pode visualizar uma antecipação ao grand tour, bem como aos custos e benefícios que o turismo acarretava. Este hábito das famílias nobres em enviarem seus filhos para estudarem em centros culturais da Europa deu início às denominadas viagens de intercâmbio cultural.

Ignarra (2001) destaca que:
Com o fim da Idade Média e o advento do capitalismo comercial as viagens foram se propagando. Criaram-se extensas vias de circulação de comerciantes ao longo do território europeu, primórdios das auto-estradas, hoje existentes. No entroncamento dessas vias surgiram as grandes feiras de troca de mercadorias. Tratava-se, portanto, do início das feiras que hoje grande fluxo de turismo provoca no mundo todo. (IGNARRA, 2001, p.18)

Assim, o desenvolvimento do sistema de comércio implicou um aumento gradativo nas viagens de rotas comerciais, onde os deslocamentos passaram a ser efetivados por vias marítimas, marcando os séculos XV e XVI pelas grandes navegações, sendo estas, posteriormente, consideradas as precursoras dos cruzeiros marítimos que são visualizados atualmente. Em resultado a este fator, pode-se entender que isto aconteceu nesta época, a partir das relações internacionais, do imperialismo, do crescimento do nacionalismo e do desenvolvimento da indústria bélica

Em equivalência, o segundo estágio de expansão do turismo encontra-se na era das ferrovias, período em que trens e navios a vapor modificaram as oportunidades para se viajar, criando um mercado expressivo em um curto prazo. Durante esta época pode-se perceber o aparecimento das viagens em massa, que, consequentemente, acabou por inserir a indústria de viagens, composta por agências e operadoras de turismo. Enfatiza-se que durante a era das ferrovias é que se pode observar a primeira grande explosão da demanda por viagens. Dentro deste contexto vale ilustrar:

O terceiro momento do turismo é discutido como o período entre guerras, ou seja, em um intervalo de 1918 a 1939, cujo momento, “impulsionou algumas formas de desenvolvimento técnico muito útil em um prazo maior, com a expansão notável das rodovias e um considerável investimento na aviação” (LICKORISH e JENKIS, 2000, p.22). Nota-se que este período também foi marcado de forma significativa pela era dos automóveis, com um crescente aumento de empresas automobilísticas.

Nos vinte e um anos que compreenderam o “entre - guerras” percebe-se que as viagens realizadas em ônibus e ônibus de turismo intensificaram, pois a guerra acarretou em mudanças de atitudes, aumentando o padrão de vida da população, com uma ordem social menos rígida que proporcionava um papel importante à mulher na sociedade.

Deste modo, o turismo social surge a partir do aumento de férias pagas, bem como o crescimento da variedade de atividades de lazer recreativas, feitas a partir de ônibus fretados e transporte barato.

Em conseguinte, o último estágio do turismo encontra-se no período situado a partir de 1945 até os dias atuais, sendo conhecido como “decolagem” do turismo, representando uma época de revolução na tecnologia e desenvolvimento industrial em massa, com a formação de uma nova sociedade, com estilos de vidas individualizados e maior comunicação pessoal ou em grupo.

A indústria de viagens cresceu em países mais ricos e industrializados, e o transporte e outros meios de comunicação favoreceu em grande escala a expansão do turismo, com maior apelo comercial que acabou estimulando o interesse por viagens da população.

As empresas automobilísticas desenvolveram-se em proporções grandiosas e as viagens aéreas aumentaram em nível ainda mais acelerado, o que também implicou em um aumento da veemência em viajar.


E, diante deste processo de grande desenvolvimento do turismo, pode-se acrescentar o que poderia ser denominado de “pós-turismo”, termo que advém dos avanços da tecnologia, como um novo modelo de turista, que procura destinos mais seguros e tecnologicamente expressivos. O pós-turismo surge a partir do deslocamento desnecessário das pessoas, o qual se recorre à mega hotéis, que dispõe de uma alta estrutura de serviços a serem prestados e equipamentos oferecidos aos turistas, onde os mesmos passam a não ter nenhum contato com a comunidade local, com uma substituição da mão-de-obra pela tecnologia, sem a produção de recursos naturais e culturais da localidade.
Paralelamente, convém observar que no Brasil, o processo de origem e evolução do turismo somente passou a ser estudado cientificamente após a Segunda Guerra Mundial, quando os impactos econômicos advindos pela atividade tornaram-se expressivos no país. Os brasileiros tinham como motivação para viajar o prestígio social, o que hoje também é um fator relevante, porém, as pessoas deslocam-se mais para fins de evasão da rotina habitual imposta pelo sistema capitalista.

Apenas em 1968 que o turismo no Brasil alcança um patamar para sua regulamentação, quando o governo cria o Conselho Nacional de Turismo (CNTUR), o Fundo Geral do Turismo (FUNGETUR) e o Instituto Brasileiro de Turismo (EMBRATUR), órgãos responsáveis por fomentar a atividade turística no país de forma ordenada, criando condições para a geração de emprego, renda e desenvolvimento no Brasil.

Convém ressaltar a importância que configura os investimentos financeiros estrangeiros ou nacionais.

Assim, diante das abordagens expostas sobre os pressupostos referentes à história e evolução do turismo, surge como importante analisar os fundamentos em que as conceituações de turismo estão envoltas, de forma que a atividade turística seja compreendida em toda a sua dimensão

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